Arquivo de Imagem dos Açores
História do Cinema nos Açores
Organização cronológica a partir de um trabalho do investigador Carlos Enes.
1897
Primeiras sessões de cinema
Ilhas Terceira, Faial e São Miguel - João Anacleto Rodrigues realiza uma viagem pelas três capitais de distrito para apresentar várias sessões de cinema. A partir de 31 de Agosto têm lugar as primeiras projecções no Teatro Angrense, em Angra do Heroísmo, que se repetem a 16 de Setembro no Teatro União Fayalense, cidade da Horta, e a 9 de Outubro no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada.
Ilha de São Miguel - António Manuel Estrela e um irmão adquirirem uma máquina de projecção que é utilizada em algumas sessões em Ponta Delgada, ao som de variações de clarinete.
1901
Primeiras filmagens
Ilhas de São Miguel, Terceira e Faial - Tudo indica que as primeiras filmagens feitas nos Açores ocorrem com a visita ao arquipélago do Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia.
1902
Iluminação de espaços
Ilha de São Miguel - Porfírio Bessone estreia em Ponta Delgada o seu Animatógrafo-Biógrafo. Pela primeira vez, as salas de espectáculos do arquipélago são iluminadas por arco voltaico e numerosas lâmpadas incandescentes.
1903
Ilha Terceira - Porfírio Bessone desloca-se com o seu Animatógrafo-Biógrafo a Angra do Heroísmo.
1908
Ilha de São Miguel - Em Ponta Delgada o empresário Manuel Estrela importa da América um vidro cinematográfico, e a empresa Santos & Cª estreia um cinematógrafo no Salão Edison.
1909
Ilha Graciosa - Tem lugar a primeira sessão de animatógrafo.
Ilha do Faial - Na cidade da Horta iniciam-se sessões regulares de cinema no Teatro Faialense e no Salão Éden.
1912
Um filme
Ilha de São Miguel - Há registos da possível realização neste ano de um filme sobre a ilha.
1913
Ilha de São Miguel - Abre o Teatro Amaral, mais tarde denominado Cine Teatro Lagoense, na Lagoa.
Ilha Terceira - É inaugurado o Salão Variedades, em Angra do Heroísmo.
1915
Ilha da Flores - A Companhia Cinematográfica Florentina adquire fitas para exibição.
1917
Coliseu
Ilha de São Miguel - Em Ponta Delgada é inaugurado o Coliseu Micaelense, e dá-se a abertura do Salão Teatro Ideal.
1922
Ilha de Terceira - É inaugurado o Salão Teatro Praiense, na Praia da Vitória.
1923
Ilha de Terceira - Abre o Salão Cine Estela, na Agualva.
1924
Documentário familiar / Zepellin
Ilha de São Miguel - É realizado um documentário de carácter familiar mas de apreciável qualidade técnica, cujo autor se desconhece.
Ilha de São Miguel - Uma empresa micaelense contrata o operador cinematográfico Charles Millet para fazer um filme sobre o arquipélago.
Ilha Terceira - São registadas imagens em Angra do Heroísmo, a 13 de Outubro, do dirigível Zepellin Z.R.S., que sobrevoa a ilha em viagem para a América do Norte.
Ilha do Pico - Estreia do animatógrafo, em São Mateus, propriedade de um cidadão francês.
1927
O primeiro filme açoriano
Ilha Terceira - Em Angra do Heroísmo realiza-se o primeiro filme açoriano (como o designou a imprensa da época) com o objectivo de ser exibido em público. Surge por iniciativa da empresa Foto-Cinema Açores, realizado por António Luís Lourenço da Costa, natural da Terceira e mais conhecido por fotógrafo Lourenço. A fita, denominada Documentário Terceirense, é um documentário urbano sobre a cidade de Angra com cerca de mil metros e 42.000 fotogramas.

Ilha do Pico - Tem lugar a estreia do animatógrafo no Cais do Pico.
1928
Documentários
Ilha Terceira - Embora com vida efémera, surge em Angra do Heroísmo a revista Cinema.
Ilha de São Jorge - Na Calheta, a empresa Santos e Amorim anuncia sessões de cinema todos os Domingos e feriados, no Grémio Calhetense.
Ilha do Faial - Na cidade da Horta, Max Bruening realiza dois documentários: O Desembarque do Delegado Especial do Governo e uma Batalha de Flores.
1929
Documentários
Ilha Terceira - Realiza-se na freguesia rural das Doze Ribeiras a filmagem de uma tourada popular à corda, que tudo indica ser da autoria de António Luís Lourenço da Costa, o fotógrafo Lourenço, autor do Documentário Terceirense, de 1927.
Documentários
Ilha de S. Miguel - Surgem as revistas Cinetea, Cine-Jornal e Cine-Micaelense.

Ilha Terceira - Na Praia da Vitória, o fotógrafo António José Leite realiza o documentário As Festas Comemorativas do 11 de Agosto.
Ilha Terceira - Existem registos de outros documentários da autoria do fotógrafo Raul Cruz.

Ilha do Faial - Nos Cedros é instalada uma máquina adquirida pela Câmara Municipal da Horta para facultar sessões educativas às crianças das escolas.
1930
O primeiro filme micaelense
É exibido no arquipélago o filme de Charles Millet, realizado em 1924.
Documentários
Ilha de São Miguel - O fotógrafo Jacinto Óscar Dias Rego funda a empresa Toste Filme e estreia o primeiro filme exclusivamente micaelense", com 700 metros, composto por um documentário e um cine-jornal, cujos quadros eram precedidos de legendas organizadas por Agnelo Casimiro.

1931
Sonoro / Revista de cinema
Ilha de São Miguel - Chega ao arquipélago o cinema sonoro. A exibição em Ponta Delgada do filme O louco Cantor, em 28 de Março, obtém um êxito extraordinário.
Ilha Terceira - É realizado em Angra do Heroísmo um pequeno filme da autoria do fotógrafo Lourenço sobre a Revolta dos Deportados.

Ilha Terceira - Em Angra do Heroísmo surge a revista Ecran.

Ilha do Faial - Na cidade da Horta publica-se a revista Cinema.
Ilha do Pico - Estreia do animatógrafo nas Lajes.
Ilha de São Miguel - São registados dois documentários da autoria de Jacinto Óscar Dias Rego: O Sismo de 5 de Agosto em São Miguel e Paisagem Açoriana.
1933
Ilha de São Miguel - Surge a Esplanada do Cinema Popular, na Fajã de Cima, o Yo-Yo Cinema, em Vila Franca do Campo e o teatro Ribeiragrandense, na Ribeira Grande.
1934
Sonoro
Ilha Terceira - Surge o cinema sonoro em Angra do Heroísmo, através da Foto Cinema Açores.
Ilha das Flores - Projectam-se filmes com alguma regularidade no Teatro Gil Vicente, em Santa Cruz.
1937
Ilha de São Miguel - Em Ponta Delgada abre a Esplanada do Cine Teatro Marítimo, que passa a denominar-se Cine São Pedro.
1938
Documentário
Açores - Heinrich Gartner realiza um documentário sobre o arquipélago.

1939
Documentário
Ilha de São Miguel - Abre o Teatro Vilafranquense, em Vila Franca do Campo.
1941
Primeira reportagem política
Açores - Com a vista do General Carmona, realiza-se a primeira grande reportagem de carácter político do Estado Novo no arquipélago.

1942
A imprensa refere a realização de um documentário, sem título, de Vasconcelos Arruda, sobre a ilha de São Miguel, apresentado na Casa dos Açores, em Lisboa.
1943
Ilha de Santa Maria - Abre o Cine Mariense, em Vila do Porto.
1945
Ilha Terceira - Em Angra do Heroísmo, iniciam-se as sessões de cinema na Sociedade Recreio dos Artistas.
1948
Ilha de São Jorge - É inaugurado o Cine São Jorge, nas Velas.
1951
Documentário
Ilha Terceira (imagem H) - Fernando Maynard realiza o documentário Ilha Terceira, Cinco Séculos ao Serviço da Nação.
Ilha de São Miguel - Em Ponta Delgada é inaugurado o novo Teatro Micaelense.
1953
Ilha de São Miguel .- Abre o Cine Esplanada São Roque.
1954
Ficção
Ilha de São Miguel (imagem C) - A ficção dá os primeiros passos com a adaptação ao cinema da obra de Armando Cortes-Rodrigues, Quando o Mar Galgou a Terra, com realização de Henrique Campos.
Ilha de São Miguel - O empresário Manuel Amaral de Mendonça constrói o Cine Teatro Vale Formoso, nas Furnas.
1958
Ilha do Faial - Os filmes de carácter científico iniciam-se com a erupção do vulcão dos Capelinhos.
1959
Ilha das Flores - É inaugurado o Cine-Jardim, em Santa Cruz.
1961
Ilha de São Miguel - Abre o Cine Teatro Açor, nas Capelas.
1962
Ilha de São Miguel - O empresário Manuel Amaral de Mendonça constrói o Cine Vitória, em Ponta Delgada.
Açores - Na sequência de outras reportagens de carácter político do Estado Novo, é realizada uma reportagem da visita presidencial do Almirante Américo Tomáz ao arquipélago.
1963
Ilha Terceira - Em Angra do Heroísmo a Sociedade Fanfarra Operária inicia sessões de cinema.
1964
Ilha Terceira - Iniciam-se sessões de cinema na Sociedade Recreio Lajense, Lajes.
1965
Ilha Terceira - Iniciam-se sessões de cinema na Sociedade Altarense do Sagrado Coração de Jesus, nos Altares.
1966
Ilha Terceira - Iniciam-se sessões de cinema na Sociedade Progresso Lajense, Lajes.
1968
Ilha de São Miguel - Abre o Cine Teatro Ferreira da Silva, em Água de Pau.
1986
Ficção moderna
Ilha de São Miguel - É produzida pela Radiotelevisão Portuguesa/RTP-Açores a série televisiva em 16 mm, de cinco episódios com 55 minutos de duração de cada episódio, Xailes Negros, a primeira obra expressiva do realizador Zeca Medeiros, que adaptou com Emanuel Macedo a obra original de José de Almeida Pavão. que inicia a ficção moderna nos Açores, com o recurso a actores da região, concretizando-se assim o grande sonho dos anos 20 do século passado, em que a Foto-Cinema Açores pretendia realizar uma grande obra de ficção regional. A obra retrata os Açores dos primeiros anos da década de 70 do Século XX. Uma freguesia rural. Uma geração dividida entre o apelo da emigração e os fantasmas da Guerra Colonial. Uma história de amos onde se cruzam amizade, mexericos, misticismo e desencanto. O rosto e o tempo dum povo ilhéu, cativo dos seus anseios e da sua solidão.
2006
Recuperação patrimonial
Ilha Terceira (imagens N, Q) - O Museu de Angra do Heroísmo encomenda à Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema a recuperação do original do Documentário Terceirense, uma película de 35 mm com mais de uma hora de duração sobre a cidade de Angra, na época designado pela imprensa do arquipélago como o primeiro filme açoriano, um registo documental de grande interesse patrimonial com renovado interesse dada a classificação da cidade pela Unesco em 1983 como Património da Humanidade. A recuperação teve lugar na sequência da execução do projecto de cooperação inter-regional desenhado para os arquipélagos da Macaronésia Europeia (Açores, Madeira e Canárias) designado CINEMEDIA - Recuperação e Digitalização do Património Cinematográfico, do Programa de Iniciativa Comunitária INTERREG III B. Após décadas sem visionamento público, o documentário integrou o ciclo de cinema antigo intitulado Os Açores nos Filmes, uma iniciativa do museu que integrou outras obras cinematográficas de relevo na evolução do cinema nos arquipélago, sendo na altura editado um DVD para divulgação junto do grande público.

