vésperas
Também grafado vespras (Faria, 1997: 206) e pronunciado bésperas, são pães, bolos ou rosquilhas distribuídos a horas de véspera, nas ilhas de S. Jorge, Pico e Graciosa, conforme as localidades ou as festas, principalmente pelas do Espírito Santo. Nalgumas localidades, a distribuição é feita a todas as pessoas, indistintamente, mesmo que se conservem no interior de suas casas, mas noutras é feita como esmola.
Segundo Machado (1917), no concelho das Lajes, as vésperas são distribuídas também pelas festas de S. Pedro. Os pães de trigo, são tendidos com uns dois palmos de comprido e uma das extremidades voltada para cima, a formar cabeça. Os bolos, também de massa de trigo, abiscoitados, têm pouco mais de um palmo de diâmetro, são planos, com uma borda em roda, de uma polegada de alto; sobre a parte plana imprimem-se chavões com ornatos [ver chavão]. As rosquilhas são um pouco maiores do que os bolos, muito grossas, feitas de farinha de trigo, ovos, leite, algum açúcar e manteiga.
Para Lima (1957: 140), véspera é bolo de configuração idêntica àquela descrita acima, mas que não leva manteiga, tornando-se rijo como uma tábua.
Luísa Brasil registou a sua memória sobre a confecção destes bolos na ilha de S. Jorge (cf. Brasil, 1997).
Uma receita para bolos-de-vépera (Jorgense (O), 1988):
Ingredientes: 1 kg de farinha, 1 colher de sopa de manteiga, 1 colher de sopa de banha, 2 ovos, 2 colheres de açúcar, 1 pitada de sal, almece o necessário (pode ser substituído por leite e água).
Modo de preparar: Misturam-se bem os ingredientes e depois fazem-se pêlos. Põe-se a levedar. Depois de lêvedos, pesam-se (meio quilo cada bolo) e tendem-se. Repenicam-se, chavam-se, colocam-se sobre lençóis estendidos na cama (conforme os usos e os costumes locais) e vão novamente a levedar.
Cozem-se em forno de lenha durante meia hora. Luís M. Arruda
Bibl. Brasil, L. (1997), As festas do Espírito Santo: os «bolos de véspera», Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 55: 279-280 [transcrito do jornal Açoriano Oriental, Ponta Delgada, 30 de Maio de 1953]. Faria, O. S. (1997), O nosso falar ilhéu. Angra do Heroísmo, Ed. BLU. Lima, M. (1957), Vocabulário regional das Ilhas do Faial e Pico. Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 1, 2: 107-141. Jorgense (O) (1988), Velas, 6 de Julho, As festas do Espírito Santo. Machado, F. S. L. (1917), Vocabulário regional: colhido no concelho das Lages (ilha do Pico). Coimbra, Imprensa da Universidade [(1991), 2.ª edição fac-similae, Lajes do Pico, Câmara Municipal das Lajes do Pico].
