uva-da-serra

Nome vulgar da espécie botânica Vaccinium cylindraceum, da família Ericaceae (Dicotiledónea), segundo Palhinha (1966: 88), Pereira (1953: 31), Schäfer (2002: 144) e Sjögren (2001: 92), também conhecida por uva-do-mato, segundo Costa (1948: 100), Palhinha (1966) e Schäfer (2002), uva-do-monte, segundo Costa (1948: 100), Palhinha (1966), uveira, segundo Palhinha (1966) e Pereira (1953) e romania, segundo Direcção Regional do Ambiente (s.d.), Palhinha (1966) e Sampaio (1904: 63). Costa (1948: 100) relaciona este nome com o fruto da romania que caracteriza como de sabor agradável, muito apreciado pelos pastores.

Segundo Direcção Regional do Ambiente (s.d.), Schäfer (2002) e Sjögren, E. (2001), é um arbusto ou pequena árvore caducifólio; folhas alternadas, oblongo-lanceoladas, acuminadas, serrilhadas, verde vivo na página superior e mais claro na inferior, com 2-5 x 10-20 cm; flores em cachos de 10-20 cm com 10-30 flores; pétalas cor-de-rosa com tons de branco ou de vermelho, congénitos, formando uma corola estreitamente campanulada, com até 1,5 cm de comprimento. Fruto em baga, comestível, ovóide, negro-azul, com até 1,5 x 1 cm. Perene. Floresce de Maio a Julho.

Espécie endémica dos Açores, ocorre em todas as ilhas excepto na Graciosa (Silva et al., 2005: 141), raramente abaixo dos 100 m de altitude, geralmente acima dos 300 m, surgindo até aos 1800 m na ilha do Pico, esparsa sobre taludes íngremes. Membro frequente da laurissilva pode ser também encontrada, dispersa, em prados e em taludes de depósitos arenosos e de escórias (cf. Schäfer, 2002; Sjögren, 2001).

Tem baixa tolerância ao pastoreio.

Para os botânicos europeus é uma espécie muito peculiar dentro deste género por se apresentar, sobretudo, com a forma de arbustos pequenos (Sjögren, 2001). Luís M. Arruda

Bibl. Costa, C. (1948), Terminologia agrícola micaelense. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 8: 95-102. Direcção Regional do Ambiente (s.d.), Fichas de plantas vasculares dos Açores. [Horta], Direcção Regional do Ambiente. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pereira, S. A. (1953), Principais plantas cultivadas e espontâneas nos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 18: 1-32. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.), A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155. Sampaio, A. S. (1904), Memória Sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.