urze
Nome vulgar da espécie botânica Erica azorica, da família Ericaceae (Dicotiledónea), segundo Palhinha (1966: 88), Pereira (1953: 31), Sampaio (1904: 63), Schäfer (2002: 144) e (Sjögren, 2001: 90) também conhecida por mato, vassoura, barba-de-mato, segundo Palhinha (1966: 88).
Segundo Schäfer (2002) e Sjögren (2001), é arbusto ou pequena árvore, sempre verde, que pode atingir 6 m de altura; folhas simples em forma de agulha que podem atingir 10 mm de comprimento; flores em grupos terminais, apertados, geralmente interrompidos; pétalas verdes, muitas vezes de tons púrpura, congénitos, formando uma corola campanulada, com 1,5-1,75 mm; estigma protruso; fruto em cápsula, seca. Perene. Floresce de Abril a Junho.
Endémica dos Açores, ocorre em todas as ilhas (Silva et al., 2005: 141), nas arribas costeiras, declives secos, mantos lávicos recentes e sebes, geralmente entre os 300 m e os 1500 m de altitude, mas podendo alcançar os 2000 m, como acontece na ilha do Pico, ou descer quase até ao nível do mar (Schäfer, 2002; Sjögren, 2001).
Muito resistente à secura e a ventos fortes, mas não ao pastoreio, está entre as primeiras espécies da floresta laurissilva a recolonizar diferentes tipos de habitat, onde a actividade humana que mantinha a paisagem aberta deixou de existir, mas a recolonização em zonas de floresta natural que tenha sido cortada é muito lenta.
Povoamento de indivíduos maduros de indivíduos desta espécie na floresta de louro e cedro, da zona-de-nuvens, acima dos 500 m, encontram-se troncos com diâmetros superiores a 20 cm, que possuem comunidades endémicas de musgos epífitos. Todavia, estes povoamentos tornaram-se raros devido aos cortes para madeira, combustível e arroteias tendo em vista o estabelecimento de novas pastagens (cf. Schäfer, 2002; Sjögren, 2001).
É uma espécie protegida por lei. Luís M. Arruda
Bibl. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pereira, S. A. (1953), Principais plantas cultivadas e espontâneas nos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 18: 1-32. Sampaio, A. S. (1904), Memória Sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.), A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., Ed. do autor.
