tresmalho
Trata-se de uma arte de pesca idêntica à *rede-de-arrastar, mas sem «copo». Segundo Silva (1903), é a maior arte de pesca usada pelos pescadores micaelenses que a operam em enseadas de fundos regulares, para que não prenda ao ser arrastada.
Ainda segundo este autor, um tresmalho pode ter 15 a 20 braças de comprimento por 4 a 6 braças de largura, com malha de polegada de lado e fio de 2,5 mm de diâmetro. Pela parte superior do pano, no sentido longitudinal, para que a rede flutue, há peças de cortiça com 3 a 4 polegadas de lado e polegada e meia de espessura, ligadas à tralha de meia em meia braça. Na tralha da parte inferior, também no sentido longitudinal, e igualmente de meia em meia braça, há pedras lisas de 2 a 3 quilos de peso (pandulhos), que forçam a tralha a conservar-se em contacto com o fundo.
Conforme o tamanho do cerco, unem-se 6, 7 e mesmo 8 redes que neste caso tomam o nome de panos.
Para lançar a rede são necessários 2 barcos. Um deles aproxima-se de um ponto próximo da terra e começa a arrear os panos; afastando-se devagar, vai descrevendo, em seguida, um arco de grande raio, até que arreado todo o aparelho, pára. O outro vai ligar o ponto de paragem daquele a terra. Porque a extensão do arco é grande, para facilitar a manobra de arrastamento do aparelho de pesca, poderão ser usados mais dois ou três barcos, colocados pelo lado exterior do arco, em pontos convenientes. Se o fundo é favorável até à borda de água, a rede pode ser puxada de terra e o peixe colhido aí mesmo; caso o fundo não seja próprio para arrastar a rede, o cerco é apertado sucessivamente até deixar apenas a área suficiente para que um barco possa entrar e armar a *rede de chicharro, com a qual levanta todo o peixe.
A junção de mais panos, quando necessária, é feita dentro do barco. Luís M. Arruda
Bibl. Silva, A. (1903), Ethnographia açoriana, a alfaia marítima de S. Miguel. Portugália, Porto, 1, 4: 835-846.
