tremor vulcânico
O tremor vulcânico é um tipo de manifestação sísmica caracterizada por tremor contínuo e rítmico do solo, muito diferente dos abalos súbitos e de curta duração típicos dos sismos de origem tectónica. Estas vibrações contínuas do solo ocorrem associadas a erupções vulcânicas e são interpretadas como resultando da movimentação de magma ou de gases magmáticos ao longo das condutas vulcânicas, ascendendo dos reservatórios magmáticos para a superfície.
Algumas vezes este tremor harmónico só é detectado pela instrumentação sismológica instalada nas proximidades do vulcão. No entanto, quando muito vigoroso ou muito superficial, pode ser sentido pela população das regiões mais próximas dos centros eruptivos.
Os relatos de várias erupções históricas dos Açores referem ou sugerem a ocorrência de tremor vulcânico. Tal sucedeu, pelo menos, nas erupções de 1630, 1652, 1867, 1963, 1964.
No que respeita a erupção de 1630, nas Furnas em S. Miguel, os relatos mencionam que ocorreram abalos contínuos durante as cinco horas que antecederam o início da erupção, continuando a sentir-se por mais duas horas; estes abalos eram de tal modo intensos que fizeram tanger o sino do relógio da Matriz de Ponta Delgada.
As descrições da sismicidade que antecedeu a erupção dos Picos de Paio e de João Ramos, em 1652 na ilha de S. Miguel, referem que no intervalo dos sismos que antecederam a erupção se sentia a terra oscilar.
O tremor vulcânico é igualmente mencionado nas descrições da erupção submarina que se desenrolou ao largo da Serreta, na ilha Terceira, em 1697.
Também nos eventos de 1963, ao frente ao Cachorro (Pico), e de 1964, ao largo das Velas (S. Jorge), os sismógrafos do observatório da Horta registaram tremor vulcânico. José Madeira
