transportes terrestres

Apesar das diferenças notórias entre as ilhas e de não haver sincronia nas mudanças operadas, a longa permanência do transporte animal é uma característica comum a todas as ilhas e que se prolongou, nas menos desenvolvidas, ainda pela segunda metade do século XX. O burro foi o animal de transporte de carga por excelência, quer para mercadorias quer para passageiros. Os relatos de viagem de estrangeiros que visitaram o arquipélago no século XIX são bem elucidativos das peripécias que passaram nas suas deslocações. Os equídeos e os muares tiveram sempre uma menor importância como meio de transporte. O carro de bois foi outro meio utilizado nas zonas rurais, mas também nas ligações à cidade, transportando passageiros e mercadorias. Nos finais do século XIX e ainda na primeira metade do século XX, as carroças começaram a competir com eles, mas com cargas mais leves. A estes meios de transporte mais populares vieram juntar-se gradualmente, outros mais requintados. No século XVIII, as cadeirinhas eram utilizadas pelas mais nobres mulheres quando iam à missa ou em visita, mas tudo indica que no século XIX se utilizaram com alguma regularidade os cabriolés, as carruagens, as seges, por elementos da nobreza ou da burguesia nos meios urbanos. Primeiro como meio de transporte particular e, depois, como transporte público. Data de 1862 a ligação de omnibus, puxados por muares, entre Ponta Delgada e a Ribeira Grande, havendo também em Angra as chamadas cocheiras ou estações de aluguer de carruagens, pela mesma altura. Naquelas duas cidades, no início do século XX, funcionava também um serviço de omnibus destinado aos banhistas da praia do Pópulo, em São Miguel, ou para a costa do Fanal, em Angra. Entre a Horta e Cedros, começou a funcionar uma carreira puxada por muares, em 1896. Para 1908, notícias de carruagens de aluguer na Graciosa e em São Roque do Pico. Nesta mesma ilha, pouco depois de 1920, o carro da mala, uma carroça puxada por mulas, fazia a ligação entre Madalena-Lajes e Madalena-Cais do Pico.

O início do século XX apresenta como novidade o aparecimento do *automóvel no arquipélago, em 1901. Todavia, o transporte motorizado levou algum tempo a expandir-se. Em 1925, as estatísticas registam numa mesma rubrica (automóveis, motocicletas, side-cars e outros) a existência de 24 para o distrito de Angra, 30 para o da Horta e 450 para o de Ponta Delgada, para o transporte de pessoas. No caso do transporte de cargas, a ordem é de 1, 8 e 158, respectivamente. Se comparamos estes dados com os dos veículos hipomóveis para transporte de pessoas (carruagens, landaus, caleches, coupés, charabãs, omnibus, etc.) existem 107, para o distrito de Angra, 61 para o da Horta e 1.235 para o de Ponta Delgada. No caso do transporte de carga, pela mesma ordem, os números são: 1.096, 431 e 3.628. Estes dados enquadram-se numa outra estatística de trânsito nas estradas de São Miguel, para 1930, que revela a predominância de veículos de tracção animal, arrecadando 52%