tourada à corda

É, sem sombra de dúvida, o divertimento mais popular da ilha Terceira. A sua origem continua, todavia, por determinar. É muito provável que os povoadores tenham levado consigo o costume de correr vacas à corda, como acontecia no século XVI em várias zonas do Minho, em Castelo Branco e na Estremadura, caso de Arruda dos Vinhos. As semelhanças podem não ser muitas, mas poderão ter servido para a evolução que se registou na Terceira. Outra hipótese é a da origem espanhola, uma vez que se realizavam touradas semelhantes, conhecidas pelo nome de galfumbo e el aguardiente. Independentemente das origens, o facto é que no século XIX a imprensa faz vastas referências a este divertimento. Na altura se realizavam entre Abril e Outubro, num calendário semelhante ao do presente que se inicia a 1 de Maio e termina com as festas das Lajes, no princípio em Outubro. No ano de 1886 realizaram-se 42 corridas; em 1922, 120; em 1937 o número desceu para 93 e, em 1964, eram 122, número este que tem vindo a subir. A popularidade e a consideração eram tão elevadas que qualquer visitante ilustre era presenteado com uma corrida de fama. Apesar de tudo, a tourada foi alvo de várias críticas: por um lado, porque alguns consideravam uma barbaridade amarrar o bicho à corda e espicaçá-lo com aguilhões; por outro, por acharem que eram em número exagerado e que prejudicava o trabalho do dia-a-dia. Nos anos 20, foi publicado um alvará que procurava concentrá-las nos domingos e feriados. Todavia, essa redução prejudicava o fundo de beneficência distrital que auferia receitas a partir das licenças concedidas. Quanto aos prejuízos económicos, na realidade ainda se perdem muitas horas de trabalho para cada um estar presente na tourada, mas quem defenda que as contas bem apuradas talvez se convertam em ganho, dado que a economia da ilha vive em boa medida de todo o comércio que se gera em torno desta festa, nas conhecidas tascas.

A realização de uma tourada exige um conjunto de trabalhos prévios e alguns rituais que sofreram ligeiras alterações. Num primeiro momento, os mordomos da festa ou os organizadores contactam o criador, escolhem o gado que pretendem e ajustam o preço. Na véspera, os touros escolhidos são apartados e preparados para a viagem. Até aos anos 50, sensivelmente, os touros partiam e regressavam ao mato a , acompanhados por vacas, pastores e cães que os enquadravam, para evitar a fuga. No local de destino eram conduzidos para um touril. O touril compunha-se de um espaço mais amplo, onde estavam todos juntos, bois e vacas, donde saíam um a um para serem corridos. Eram então separados para um compartimento mais pequeno, onde eram embolados e laçados pelo pescoço. Nos anos 60, passaram a ser transportados em camionetas, metidos numas gaiolas individuais. As gaiolas são colocadas num local do arraial e dali saem os animais para a corrida. Na parte superior