Teles, Fernão
[N. ?, 1432 m. Alcácer do Sal, 1.4.1477] Também conhecido por Fernão Teles da Silva. Fidalgo originário da nobreza de Entre Douro e Minho era filho de Aires Gomes da Silva e de D. Brites de Meneses. Partidário do infante D. Pedro participou na batalha de Alfarrobeira tendo perdido as benesses e os benefícios entretanto recebidos. Conseguiu obter o perdão do monarca D. Afonso V.
Entre 1452 e 1454 empenhou-se com o irmão João nas campanhas do Norte de África. Regressado ao reino recebeu mercês e recuperou parte da herança paterna. Voltou a África para combater. Em 1463-1464 é fidalgo da Casa do Infante D. Fernando e fica prisioneiro no desastre de Tânger sendo resgatado. Em 1471 participou na conquista de Arzila.
A partir de 1474 derivou os seus interesses para a área dos descobrimentos, sendo um dos protagonistas do monopólio do comércio e pescas na costa ocidental africana.
Uma carta régia de 28 de Janeiro de 1474 reconheceu-lhe os serviços e concedeu-lhe por mercê a doação dos territórios que descobrisse no mar oceano, desde que se não situassem nas partes da Guiné e fixou os direitos que ele mesmo deteria sobre tais territórios. Uma outra carta régia de 10 de Novembro de 1475 reconfirmou a mercê anterior e sancionou o contrato que Fernão Teles estabeleceu com João de *Teive de compra das ilhas Flores e Corvo. Tem-se entendido que esta compra se relaciona com a necessidade de estabelecer nessas ilhas uma base para os descobrimentos dos tais novos territórios no mar oceano, que as cartas de 1474 e 1475 lhes atribuía. Assim, Fernão Teles tornou-se senhor das «ilhas a que chamam Flores», como reza a carta de 1475. Contudo a morte de Fernão Teles, em 1477, em Alcácer do Sal, varado por uma pedra quando de uma intervenção num confronto popular, interrompeu todos estes projectos ultramarinos e a formação de um senhorio ou donataria formada pelas Flores, Corvo e outras ilhas a descobrir, não havendo notícia que os tenha iniciado. A sua viúva, D. Maria Vilhena ainda tentou valorizar a ilha das Flores, povoando-a com os flamengos de Guilherme da Silveira, mas sem êxito. D. Maria de Vilhena intervinha como tutora do filho menor herdeiro do senhorio mas acabou por desistir do intento e vendeu-o a João da Fonseca, venda com confirmação régia de 1 de Março de 1504, que irá então iniciar com êxito o povoamento depois de 1507. J. G. Reis Leite
Bibl. Dicionário da História dos Descobrimentos Portrugueses (1994). Lisboa, Editorial Caminho, II: 731-732. Dicionário de História de Portugal (1971). Lisboa, Inicitiavas Editoriais, IV: 142-143. Leite, J. G. R. (2004), O povoamento das Flores. O Faial e a periferia açoriana nos séculos XV a XX. Actas. Horta, Núcleo Cultural da Horta: 483-492.
