Telégrafo (O)

Jornal diário que começou a ser publicado na cidade da Horta, em 2 de Setembro de 1893. O seu nome, inicialmente grafado O Telegrapho, está relacionado com a amarração do cabo telegráfico submarino na Horta, no mês de Agosto, anterior.

Fundado e dirigido por Manuel Emídio Gonçalves, até ao seu passamento, em 1960, inicialmente teve como editor responsável Francisco Silveira Garcia Jr., substituído pelo padre Manuel José de Ávila em 2 de Maio de 1895. Este havia de redigir este jornal até 15 de Abril de 1901.

No editorial do primeiro número, com o título “O nosso jornal”, pode ser lido: «O estabelecimento do cabo telegráfico submarino vem criar a necessidade de uma folha diária que provoque e difunda as notícias que possam ter qualquer importância para nós». Mais à frente, o editorial afirma: «O jornal diário é uma publicação eminentemente moderna na índole, neste século de electricidade e vapor. Todos querem saber e saber depressa. Ele é o complemento natural da comunicação telegráfica dos nossos dias». E a terminar: «Não nos pouparemos trabalho e mesmo despesa para tornar o nosso jornal útil e interessante e sobretudo para que ele possa corresponder inteiramente ao fim a que é destinado».

O jornal foi propriedade da família Gonçalves, Empresa do jornal O Telégrafo, por mais de 100 anos. Na sua direcção, a Manuel Emídio Gonçalves seguiram-se seus filhos Manuel Emídio Gonçalves Júnior (1960-1975) e José Rogério da Silva Gonçalves (1975-1984), seu neto Jorge Manuel Correia Gonçalves (1984-1987) e Ruben Rodrigues (1988-1993). Depois de vendido aos irmãos Souto Gonçalves, foi dirigido por Souto Gonçalves (1993-1997), Artur Afonso (1997-1998) e Rui Gonçalves (1998-2004).

De formato, número de páginas e de colunas variável ao longo da sua edição, inicialmente, era impresso na Typ. Minerva Açoriana, na rua de S. Paulo, 4, mas posteriormente passou a tipografia própria na rua Conselheiro Medeiros, 30, onde também funcionava a redacção e a administração.

Inclui publicidade, vários folhetins, notícias locais, regionais e nacionais, artigos de opinião e de divulgação científica, poesia e textos sobre muitas outras matérias. Inclui colaboração subscrita pelos nomes mais importantes da cultura no Faial e no Pico, além de outros. A sua colecção é um repositório, pelo menos da vida faialense, durante todo o século XX.

Deixou de ser publicado a 1 de Outubro de 2004.

Integrada na empresa proprietária do jornal, foi criada a livraria «O Telégrafo», a primeira que existiu no Faial.

A Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Horta, em reunião de 26 de Dezembro de 1913, resolveu dar à Travessa do Simões, que lhe ficava adjacente, a designação de Travessa de «O Telégrapho» (Telegrapho (O), 1913). Luís M. Arruda

Bibl. Telegrapho (O) (1913), Horta, n.º 5928, 27 de Dezembro. Telégrafo (O) (1993), Horta, n.º 26793, 2 de Setembro, O Telégrafo de A a Z, Directores.