Távora, Alexandre Meireles de
[N. Angra, 10.3.1827 m. Lisboa, 11.11.1896] Filho segundo de uma grande casa morgadia da Terceira tinha como nome completo Alexandre Bento de Meireles de Távora do Canto e Castro. Estudou primeiramente em Paris, onde seu pai, o morgado Luís Meireles do Canto e *Castro, miguelista, se exilara. Voltando à Terceira alistou-se em Caçadores 5, mas não seguiu a carreira das armas, antes matriculou-se na Universidade de Coimbra concluindo o curso de Direito em 1854. Doutorou-se em 1858 e regeu temporariamente uma cadeira de Direito. Passou então ao Ministério Público, sendo delegado do Procurador Régio e Fazenda em Timor (1864) e Macau (1866) e, em 1867, juiz de direito na comarca de Quelimane e daí transferido para Luanda, Benguela e Mossâmedes. Em 1872 foi nomeado procurador da Coroa e Fazenda junto à Relação de Luanda e por fim juiz da primeira vara da mesma comarca. Regressou ao reino, em 1874, foi juiz na Póvoa de Varzim, Idanha a Nova e Mangualde, mas, em 1880, embarcou para a Índia para o lugar de juiz da Relação de Goa. Em 1895, de novo na metrópole, foi colocado na Relação de Lisboa.
Jornalista e polemista colaborou em várias revistas e jornais com destaque para a Revolução de Setembro. Aderiu ao projecto autonomista açoriano de finais do século XIX e lutou para que a Relação dos Açores não fosse extinta, escrevendo então o folheto Liga Açoriana.
Foi cavaleiro da Casa Real (1873) e comendador de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1871). J. G. Reis Leite
Obra. (1892), A Liga Açoriana. Lisboa, Typ. Luso-Africana.
Bibl. Carvalho, H. (1883), O Dr. Alexandre Meyrelles de Tavora do Canto e Castro (juiz da Relação de Goa). As colónias Portuguesas, Lisboa, 1 de Setembro: 98-99. Forjaz, J. e Mendes, A. (2007), Genealogias da Ilha Terceira. Lisboa, Dislivro, V: 753.
