surge (vulcanologia)
As nuvens de surge são fluxos vulcânicos turbulentos, constituídos por partículas (juvenis ou líticas) e gases, mais diluídos (maior proporção gás/fragmentos) do que as escoadas piroclásticas (Cas & Wright, 1987).
Os depósitos de surge são maioritariamente constituídos por partículas finas (excepto em zonas muito próximas dos centros eruptivos) da dimensão das cinzas e muito bem estratificados. A estratificação é frequentemente ondulada, oblíqua ou entrecruzada. As nuvens de surge ocorrem associadas a erupções surtsianas, a erupções freáticas e freatomagmáticas subaéreas, a erupções estrombolianas com episódios freatomagmáticos ou freáticos (base surges) e a fluxos ignimbríticos ou nuvens ardentes (ground surges e ash-cloud surges).
Os depósitos de surge são frequentes nos Açores em quase todas as ilhas: nas Flores, em resultado de erupções freáticas e freatomagmáticas; na Graciosa, relacionados com erupções litorais e com o vulcanismo da Caldeira; no Faial, associados às erupções traquíticas plinianas do vulcão da Caldeira e a erupções surtsianas (por exemplo na erupção dos Capelinhos); na Terceira e em S. Miguel, acompanhando ignimbritos e erupções surtsianas; e em S. Jorge, em resultado de episódios freatomagmáticos de erupções estrombolianas (por exemplo durante a erupção da Urzelina de 1808) ou acompanhando nuvens ardentes resultantes de colapso gravítico de cones edificados nas vertentes íngremes da ilha (Madeira, 1998; Madeira et al., 1998). José Madeira
Bibl. Cas, C. A. & Wright, J. V. (1987), Volcanic successions: modern and ancient.
