Stone
Apelido de origem inglesa introduzido nos Açores na segunda metade do século XVII (Rodrigues, 1996). O primeiro Stone que se fixou nas ilhas foi Diogo Stone, mercador e natural de Londres, que encontramos instalado em Angra nos anos de 1660, participando como testemunha de duas escrituras de procuração em que eram autores compatriotas seus, igualmente mercadores, em 1666 e 1667. Casou primeiro com Joan Mallory, filha do seu procurador, John Mallory, mas, no começo da década de 1680, estava já casado com D. Maria Reyder, herdeira de famílias locais, e apresentava-se como contratador. Foi nomeado cônsul-geral da Inglaterra para todas as ilhas, com excepção do Faial e do Pico, por carta patente de 15 de Setembro de 1703. Para além de Diogo Stone, outros parentes seus foram registados em S. Miguel e S. Jorge no mesmo período, com relevo para João Stone, filho de Diogo desconhecemos se se trata do anterior e de Susana Stone, naturais de Londres, que se instalou em Ponta Delgada no final dos anos de 1660. Está ainda por fazer a história das diferentes linhas de descendência do inglês João Stone em S. Miguel, que chegam até aos nossos dias e passam pelo poder local, tal como no caso dos Stone de S. Jorge. Em documento datado de 15 de Outubro de 1707, encontramos referenciado um João Stone como contribuinte nas Velas (Pereira, 1987: 416-441, maxime 418). Uma genealogia jorgense coeva sugere que seria João Stone Mallory, casado com D. Susana Fagundes, vereador em 1706, cônsul inglês em 1723 e, a julgar pelos nomes de família, filho de Diogo Stone e de Joan Mallory. A descendência de João Stone Mallory permaneceria associada ao poder local, pois, em 1791, um homónimo foi designado, juntamente com outros membros da elite concelhia, para transportar o pálio na procissão do dia do Corpo de Deus (Rodrigues, 1996: 47). São algumas das peças de um puzzle ainda por completar. José Damião Rodrigues
Bibl. Gil, M. O. R. (1979), O Arquipélago dos Açores no Século XVII. Aspectos sócio-económicos (1575-1675). Castelo Branco, edição da autora. Pereira, A. S. (1987), A Ilha de S. Jorge (Séculos XV-XVII). Contribuição para o seu estudo. Ponta Delgada, Universidade dos Açores/Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais. Rodrigues, J. D. (1994), Poder Municipal e Oligarquias Urbanas: Ponta Delgada no Século XVII. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Id. (1996), De mercadores a terratenentes: percursos ingleses nos Açores (séculos XVII-XVIII). Ler História, Lisboa, n.º 31: Açores: peças para um mosaico: 41-68. Id. (2003), São Miguel no século XVIII: casa, elites e poder. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 2 vols..
