Soares de Albergaria, Maria da Ascensão Botelho
[N. Ponta Delgada, 27.5.1897- m. ibid., 9.9.1970] Muito cedo demonstrou grandes aptidões para o canto, apresentando-se, pela primeira vez em público, com apenas seis anos de idade, no Teatro Micaelense. Mais tarde, sob a orientação da sua professora Isabel de Chaves e Melo, distinta cantora micaelense, realizou vários concertos em Ponta Delgada, e participou na estreia do Coliseu Avenida. Em 1924, e após um ano de aperfeiçoamento em Milão com o professor Mário Maulino Malatesta, realizou um concerto no Salão do Conservatório Nacional de Lisboa. Posteriormente, efectuou diversos concertos nos Açores e na Madeira, e em 1927 seguiu em digressão para o Brasil onde, em catorze meses, realizou recitais em mais de quarenta cidades, sempre acompanhada ao piano por seu marido, José Soares de Albergaria. No Rio de Janeiro recebeu contratos para a gravação de discos da casa Odeon e para gravações na Emissora da Rádio Difusão. Segundo um crítico do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, a sua voz era «de difícil classificação, pela sua originalidade que provém do facto de ter na primeira metade da sua escala um timbre de soprano lírico, ao passo que a parte superior apresenta-se com puro timbre de soprano ligeiro e magnífica extensão». Conhecida como «o rouxinol dos Açores», foi convidada para novas digressões artísticas no estrangeiro, mas recusou-as para regressar a Ponta Delgada, onde se encontrava gravemente doente um dos seus filhos, que acabou por falecer. Aí, dedicou-se ao ensino, realizando várias audições com os seus alunos. Ana Paula Andrade
Bibl. Melo, M. M. (1956), Música nos Açores - Apontamentos para um Dicionário de Músicos Açorianos, Insulana, XII, 2º Sem.: 315.
