Soares de Albergaria, Cristóvão
[N. ?, ? m. ?, ?] Desembargador e corregedor. Licenciado, juiz de fora de Ponta Delgada, corregedor dos Açores e provedor da Fazenda Real. Foi, nas palavras de Gaspar Frutuoso (1978: 94), «bom letrado, de muita prudência, mansidão e humildade, e zeloso de todo bem». A presença deste oficial régio nas ilhas foi longa, explicando-se pela conjuntura política que se seguiu à morte de D. Sebastião (1578) e ao curto reinado do cardeal D. Henrique, com a integração de Portugal na Monarquia Hispânica e a resistência dos apoiantes de D. António, prior do Crato, na Terceira (1581-1583). Em 1578, o bacharel Cristóvão Soares de Albergaria era juiz de fora em Ponta Delgada e, enquanto tal, serviu também como juiz dos resíduos (Arquivo dos Açores, 1980, II: 105; Frutuoso, 1981, II: 256-257). No entanto, após a conquista da Terceira pelo marquês de Santa Cruz, a 1 de Agosto de 1583, Cristóvão Soares de Albergaria recebeu carta patente de corregedor da Terceira e mais ilhas vizinhas por tempo de um ano e mais o que fosse do serviço régio (Arquivo dos Açores, 1980, II: 105-106; Drummond, 1981, I: 684-686). Foi assim, «o primeiro Corregedor, que por parte de Castella estas Ilhas gouernou» (Chagas, 1989: 261). Durante o exercício da sua jurisdição, que acumulou com o ofício de auditor da tropa castelhana do presídio de Angra, o corregedor procurou responder à situação de crise que se vivia nas ilhas, alertando os poderes na corte, e atender às questões mais urgentes que se lhe colocavam, quer por parte das câmaras, quer por parte das populações. Em Ponta Delgada, em 1584, mandou «que a casa da audiencia fose muito emmadreada e lageada quer de tijolo quer de lages de pedra asi por rezão da cadea ficar mais forte, que está debaixo della, como por rezão do máo cheiro que vem debaixo por estar muito rota, e tem muita nesesidade de ser consertada» (Arquivo dos Açores, 1981, V: 93); em Angra, no ano seguinte, preocupou-se, entre outras matérias, com as obras do cais (Arquivo dos Açores, 1980, II: passim). Pelos seus serviços, Cristóvão Soares de Albergaria foi agraciado com o hábito da Ordem de Cristo, com 50 cruzados de tença (Frutuoso, 1978: 95). Em carta de 10 de Setembro de 1585, requereu ao rei o envio de um substituto, pois, nas suas próprias palavras, perante o que fizera, «basta sete anos tam trabalhosos» (Frutuoso, 1978: 117) Mas, apesar de ir entrar no oitavo ano de serviço nas ilhas, ainda permaneceria mais alguns anos. Em finais de Setembro de 1585, Cristóvão Soares de Albergaria passou a S. Miguel, onde acompanhou a defesa local contra corsários ingleses e tratou de assuntos relativos à sua alçada, enviando cartas de Ponta Delgada e de Vila Franca do Campo (Frutuoso, 1978: 120-124, 126-128). Em Dezembro desse ano, estava ainda em S. Miguel (Ponta Delgada), mas, na Primavera de 1586, regressara a Angra, sede da comarca. Em 1587 ou 1588, chegou aos Açores o novo corregedor, o Licenciado Diogo Monteiro de Carvalho (Maldonado, 1989, 1: 115, 381). Porém, em 1589, Cristóvão Soares de Albergaria ainda redigiu uma carta a partir da cidade terceirense, datada de 13 de Agosto, enquanto corregedor (Arquivo dos Açores, 1981, V: 95) e, por carta de 4 de Outubro de 1590, foi nomeado provedor, surgindo referenciado em 1591 como provedor e corregedor (Maldonado, 1989, 1: 190, 385, 399-400). José Damião Rodrigues
Bibl. Arquivo dos Açores (1980, 1981). Edição fac-similada da edição original, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, II, V. Chagas, D. (Fr.) (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. Direcção e prefácio de Artur Teodoro de Matos, colaboração de Avelino de Freitas de Meneses e Vítor Luís Gaspar Rodrigues, Angra do Heroísmo-Ponta Delgada, Secretaria Regional da Educação e Cultura/Direcção Regional dos Assuntos Culturais Universidade dos Açores/Centro de Estudos Doutor Gaspar Frutuoso. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. Reimpressão fac-similada da edição de 1850, Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, I. Frutuoso, G. (1977-1987), Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 6 livros [várias edições]. Id. (1978), Livro Sexto das Saudades da Terra. 2.ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Maldonado, M. L. (Padre) (1989), Fenix Angrence. Transcrição e notas de Helder Fernando Parreira de Sousa Lima, Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1.
