Silveira, João Augusto da

[N. Lajes das Flores, ilha das Flores, 29.7.1802 – m. ibidem, 2.3.1877] Filho do tenente Francisco António Pimentel de Mendonça e de Mariana Bernarda da Silveira. Seria possuidor de boa instrução para o meio em que vivia, face aos cargos públicos que exerceu na ilha das Flores e à credibilidade cultural que então merecia das autoridades locais.

Deixou o seu nome ligado à elaboração dos Anais do Município de Lajes das Flores, cuja Câmara Municipal dava, assim, cumprimento à Portaria de Sua Majestade a Rainha D. Maria II, publicada no Diário do Governo n.º 267, de 11 de Novembro de 1847 e às orientações da Circular do Governo Geral da Horta de 10 de Dezembro de 1847. Para a elaboração desse livro especial a referida Edilidade, depois de ter nomeado uma Comissão para esse efeito, deliberou, em sessão de 18 de Março de 1848, nomeá-lo para coadjuvar nesse trabalho. Na sessão de 27 de Março de 1848 a referida Câmara Municipal evidencia que nele se encontram os talentos e instruções necessários para a dita coadjuvação.

Já elaborados e manuscritos, os referidos Anais do Município foram por ele apresentados na sessão da Câmara Municipal de 24 de Março de 1850, para serem copiados e remetidos ao Governo. Deste modo, na sessão de 27 de Abril de 1850 deliberou a mesma que esses Anais, embora com a primeira parte do trabalho já realizado e arquivado, fossem por ele continuados, conforme se estabelecia naquela Portaria.

E é com base nesse manuscrito, continuado em 1876 pelo seu neto, Padre João Augusto da Silveira, que a Câmara Municipal de Lajes das Flores, sob a presidência de Fernando de Freitas Silva, editou, em 1970, os Anais do Município das Lajes das Flores, organizados e anotados por Pedro da Silveira e Jacob Tomaz, com a colaboração especial do tenente-coronel José Agostinho. Foi o primeiro livro do género a ser editado nas Flores, que, apesar de esgotado, tem sido importante para a história do concelho e da ilha.

Em 18 de Janeiro de 1825 casara na freguesia da Fajãzinha com Maria Carolina de Jesus.

Das diversas actividades públicas que exerceu, sabe-se que foi juiz de paz em Lajes das Flores e juiz de órfãos e ausentes. Também fez parte da Comissão que, em 1833, tomou contas à Junta de Paróquia da Lomba. José Arlindo Trigueiro

Bibl. Gomes, F. A. N. P. (2006), Casais das Flores e do Corvo. Horta, Ed. do autor: 127. Silveira, J. A. (1970), Anais do Município das Lajes das Flores. Lajes das Flores, Câmara Municipal das Lajes das Flores.