silva-brava

Nome vulgar da espécie botânica Rubus ulmifolius, da família Rosaceae (Dicotiledónea), também conhecida por silvado-bravo, segundo Palhinha (1966: 49) e Schäfer (2002: 90), ou apenas por silva, segundo Pereira (1953: 29).

História Natural Segundo Schäfer (2002), é um arbusto espinhoso, sempre verde, de caules longos, pendentes; espinhos recurvados com até 8 mm; folhas pediformes, compostas por três a cinco folíolos, mais ou menos glabras por cima, branco-tomentoso por baixo; folíolo terminal rômbico, obovado a oblanceolado, até 6 x 4 cm, obtuso a cúspidato; inflorescência em panícula de muitas flores, com até 30 cm de comprimento; flores até 2,5 cm de diâmetro; pétalas brancas a rosadas, obovadas, com 6-10 mm; fruto composto de cerca de 20 drupas carnudas, pequenas, pretas, lustrosas, com até 2 x 1 cm. Perene. Floresce de Março a Outubro.

É uma espécie nativa da Macaronésia(?), do sul e do oeste da Europa e do norte de África, invasiva no continente americano, na África do Sul e Nova Zelândia (Schäfer, 2002). Introduzida nos Açores, corre em todas as ilhas (Silva et al., 2005: 147) onde é muito comum em todos os tipos de habitat desde o litoral até 800 m de altitude.

 

Medicina Popular Além do fruto, rico em vitamina C, as folhas secas são consideradas como tendo propriedades adstringentes e anti-inflamatórias e usadas na medicina popular para o tratamento de inflamações da boca e garganta, gastrites, diarreia e hemorróidas.

Em uso externo (bochechos, gargarejos, banhos de semicúpio): 60 g das folhas por litro de água em infusão.

Para uso interno: 30 grs. de folhas por litro de água em infusão. Tomar 3 chávenas por dia (Corsépius, 1997).

 

doçaria Os frutos são consumidos ao natural ou usados em doçaria na confecção do denominado «doce de amora». Receita: num tacho, levam-se a cozer quantidades iguais de amoras e de açúcar até atingir a consistência desejada (Gomes, 1982). Luís M. Arruda

Bibl. Corsépius, Y. (1997), Algumas plantas medicinais dos Açores, 2.ª ed., S.l., s.e. Gomes, A. (1982), Cozinha tradicional da ilha Terceira. [Angra do Heroísmo], Direcção Regional dos Assuntos Culturais (3.ª edição). Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pereira, S. A. (1953), Principais plantas cultivadas e espontâneas nos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 18: 1-32. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.), A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag.