Sete Cidades, Caldeira das

A Caldeira das Sete Cidades situa-se no topo do mais ocidental dos três estrato-vulcões activos da ilha de S. Miguel. A depressão vulcânica apresenta forma aproximadamente circular, com diâmetro médio de 5 km (5.250 x 4.875 m), e profundidade que oscila entre 200 e 400 m. No interior existem várias estruturas vulcânicas mais recentes, incluindo cones de pedra pomes, maares e domas (Caldeira do Alferes, Caldeira Seca, Lagoa Verde, Lagoa Rasa e Lagoa de Santiago). Os estudos de vulcano-estratigrafia desenvolvidos no Vulcão das Sete Cidades (Queiroz, 1997) revelaram duas fases principais. A que corresponde ao Grupo Inferior do Complexo Vulcânico das Sete Cidades, com mais de 200 mil anos, representa uma fase do crescimento sub-aéreo do vulcão marcada por actividade predominantemente efusiva. O Grupo Superior, que lhe sucede, é formado pelos produtos da actividade vulcânica, essencialmente explosiva, que se manifestou nos últimos 36 mil anos. Neste conjunto, formado por depósitos piroclásticos de queda de lapilli de pedra-pomes e escórias, escoadas piroclásticas e surges, e alguns derrames, foram definidas seis unidades: as formações do Risco, da Ajuda, da Bretanha, das Lombas, de Santa Bárbara e das Lagoas.

A análise geomorfológica, estratigráfica e vulcanológica sugere que a caldeira actual se formou em resultado de três fases de colapso principais (Queiroz & Gaspar, 1998). O primeiro destes eventos teve lugar há cerca de 36 mil anos na sequência de uma grande erupção representada pelos depósitos que constituem a Formação do Risco. O segundo evento de colapso, que alargou a caldeira para noroeste, resultou da erupção que produziu os depósitos da Formação da Bretanha, há 29 mil anos. A porção mais recente da caldeira, que corresponde aproximadamente à área ocupada pela Lagoa Azul, formou-se durante a erupção que produziu a Formação de Santa Bárbara há 16 mil anos.

Após a sua formação reconhecem-se depósitos de pelo menos 17 erupções, apresentando características predominantemente freato-magmáticas, que ocorreram no interior da caldeira nos últimos 5 mil anos. Destas, a mais recente formou o cone da Caldeira Seca há cerca de 700 anos. José Madeira

Bibl. Queiroz, G. (1997), Vulcão das Sete Cidades (S. Miguel, Açores): história eruptiva e avaliação do hazard. Universidade dos Açores. [Tese de Doutoramento]. Queiroz, G. & Gaspar, J. L. (1998), The geology of Sete Cidades Volcano, S. Miguel Island, Azores. EC Advanced Study Course 1998 Book: Volcanic Hazard Assessment, Monitoring and Risk Mitigation, 6 a 15 de Junho, Furnas, S. Miguel: 47-48.