Sequeira, Joaquim Zeferino Luís de

[N. Carnaxide, Lisboa, 9.9.1793 – m. Angra do Heroísmo, 4.12.1854] Assentou praça de soldado no Regimento de Infantaria n.º 1, a 21 de Outubro de 1808, sendo cadete, em 1809; alferes do batalhão de Cascais, em 1811; tenente, em 1814; capitão, do batalhão de Caçadores 5, em 1819; major, em 1828; tenente-coronel graduado, em 1832 e efectivo no ano seguinte; coronel, em 1834; brigadeiro, em 1844; marechal de campo, em 1851; reformado em tenente-general, em 1853.

Participou na guerra contra os franceses e na Guerra Peninsular entre 1808 e 1814, no regimento de Infantaria 1 e no Batalhão de Caçadores 9, assistindo às batalhas dos Pirinéus, Nivelle e Ortiz. Foi ferido no Bussaco, em 1810.

Veio para os Açores como capitão de Caçadores 5, que acompanhou Stockler na sua segunda missão como capitão-general em 1823 e ficou em Ponta Delgada como parte da guarnição. Quando se deu em Angra a revolta de 22 de Junho de 1828, em que o capitão Quintino Dias à frente do batalhão de Caçadores 5 repôs a Carta Constitucional, foi decidido, pelo governo interino, mandar recolher a Angra os destacamentos de S. Miguel e do Faial. Zeferino Sequeira trouxe então de São Miguel a Companhia de Caçadores 5 que estava aí destacada. Tinha o posto de major. Drummond conta que foram atacados por um pirata e chegaram à Terceira em condições deploráveis, mas foram recebidos festivamente. Acrescenta que no meio das intrigas políticas que se viviam na cidade, uma facção pretendia que o comando de Caçadores 5 passasse de Quintino Dias, que era capitão, para Zeferino Sequeira, com mais elevado posto e também liberal firme, mas moderado. Não se concretizou esta solução mas Zeferino Sequeira fez parte de um grupo de contestatários aos excessos da Junta Governativa e abandonou a ilha regressando a S. Miguel ao Batalhão de Infantaria daquela ilha (portaria da Junta de 4 de Maio de 1829). Foi possivelmente nesta ocasião que esteve preso e foi salvo pelo cônsul inglês em S. Miguel. Voltou à Terceira nesse mesmo ano, em Julho, para servir sob as ordens do conde de Vila Flor. Comandou a 2.ª Divisão Militar, sediada em Porto Judeu, assistiu à batalha da Vila da Praia e tomou parte na conquista de S. Miguel, em Agosto de 1831.

Comandou entre 17 de Maio de 1832 a 20 de Fevereiro de 1833 Caçadores 3 que acompanhou o Exército Libertador e distinguiu-se no cerco do Porto ao ponto do seu nome figurar na placa norte do monumento do Mindelo. Foi ferido em 1832 e no ano de 1833 foi afastado da defesa de Lisboa devido a doença, regressando então aos Açores colocado na Secretaria do Governo das Armas, em Angra. Em 1835 era comandante do Batalhão Provisório da Infantaria da Guarnição da ilha Terceira.

Quando se extinguiu o Comando Militar dos Açores (decreto de 5 de Março de 1836) e se instituíram comandos por ilha foi nomeado governador militar da Terceira e também de São Jorge e Graciosa. Com a criação da 10.ª Divisão (decreto de 26 de Novembro de 1836) que tinha o quartel-general em Ponta Delgada, Zeferino Sequeira passou a comandar a subdivisão da Terceira e por inerência (portaria de 29 de Dezembro de 1836) a governar o Castelo, situação que manteve até 17 de Outubro de 1846.

Em 1840 comandou o Batalhão 21, da guarnição do Castelo de Angra e por várias vezes assumiu interinamente o comando da 10.ª Divisão na ausência dos comandantes, nomeadamente em Janeiro de 1837, em Agosto de 1843 e em Julho de 1846.

Em 17 de Outubro de 1846 foi nomeado comandante da 10.ª Divisão, função que exerceu até Setembro do ano seguinte. Durante este seu exercício deu-se na Terceira o pronunciamento militar de adesão à Junta do Porto, na guerra da Patuleia, em 22 de Abril de 1847. Zeferino Sequeira, que era umn cartista, tentou impedir essa revolta, mas não conseguindo foi preso e desterrado para São Jorge, de onde regressou quando a sedição foi derrotada, a Junta Governativa dissolvida, a 27 de Julho de 1847 e as autoridades depostas reintegradas nos seus cargos.

Em 16 de Outubro de 1847 foi nomeado de novo governador do Castelo de São João Baptista, governo que manteve até 12 de Julho de 1851 quando foi exonerado porque o seu posto de marechal de campo era incompatível com o cargo por o comandante da 10.ª Divisão ter posto inferior.

Foi reformado, a seu pedido, a 17 de Maio de 1853, no posto de tenente-general, ficando adido ao Castelo de São João Baptista até à sua morte.

O Angrense noticia o seu enterro no cemitério de Santa Catarina, em São Pedro, descrevendo a cerimónia fúnebre que se revestiu de pompa civil e militar.

Era condecorado com a cruz n.º 2 da Guerra Peninsular, o grau de cavaleiro e comendador da Ordem de Avis e o 2.º grau da Ordem da Torre e Espada, pela participação na batalha da Ponte Ferreira, em 13 de Julho de 1832, onde foi ferido. J. G. Reis Leite

Fonte. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), caixa 755. Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, Paroquiais, Óbitos de São Pedro de Angra, registo de 4 de Dezembro de 1854.

 

Bibl. Costa, A. J. P. (coord.) (2005), Os generais do Exército Português. Lisboa, Biblioteca do Exército, II, 1: 341. Drumond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, IV: 120, 129, 202. Forjaz, J. e Mendes, A. (2007), Genealogias da Ilha Terceira. Lisboa, Dislivro, VIII: 668. Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira (s.d.). Lisboa, Editorial Enciclopédia, 28: 372. O Angrense (1834), Angra do Heroísmo, 12 de Julho. O Angrense (1848), Angra do Heroísmo, 20 de Janeiro. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 773, 791 e segs.