SCOTT IDLE DE SOBRADELLO
Pouco se sabe sobre a fixação desta firma na ilha do Faial, podendo no entanto afirmar-se com segurança que no ano de 1796 já estaria estabelecida naquela ilha desenvolvendo a sua actividade sobretudo no comércio de vinhos. A representação da firma na vila da Horta era assegurada por Francisco António de Sobradello, reconhecido como negociante abastado e até de grande préstimo social. A documentação atesta tratar-se, de facto, do maior exportador de vinho do Pico, mantendo com o governo inglês contrato para fornecimento das ilhas britânicas das West Indies. Os meios financeiros a que tinha acesso, numa época em que o funcionamento da economia nas ilhas dos Açores decorria, parcialmente, com base na permuta por falta de espécies monetárias, permitiu muitas vezes à Junta da Fazenda dispor de recursos financeiros de algum significado à conta das receitas creditadas ao almoxarifado do Faial, mas arrecadadas directamente por aquela Junta. Este expediente revelou-se particularmente útil a partir de 1809, altura a partir da qual a Real Fazenda dos Açores tem de transferir para Londres avultadas quantias para amortização da dívida contraída pela corte no Rio de Janeiro.
Esta prodigalidade seria certamente reconhecida pela Junta e o capitão-general não deixou de ser sensível aos serviços prestados pela firma Scott Idle de Sobradello, autorizando, por exemplo, a importação de largas partidas de vinho de S. Jorge e até de Tenerife, para engrossar a exportação ou para suprir as faltas verificadas em anos de fraca produção na ilha do Pico, apesar de tal prática ser considerada muito lesiva pela Câmara da Horta que não se poupava a esforços para impedir a entrada de vinhos de outras ilhas. Com a morte de Francisco António de Sobradello em 27 de Fevereiro de 1811, a firma cessou a actividade na Horta, o que não impediu o prosseguimento, através de outra firma, dos contratos com o governo inglês para exportação de vinho do Pico para as Antilhas. Ricardo Manuel Madruga da Costa
Bibl. Costa, R. M. M. (2005), Os Açores em finais do regime de Capitania-Geral. 1800-1820. 2 vols., Horta, Núcleo Cultural da Horta; Câmara Municipal da Horta. Macedo, A. L. S. (1981), História das quatro ilhas que formam o distrito da Horta. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, I.
