sargaço

O termo sargaço tem dois significados distintos. O mais comum refere-se à acumulação de algas marinhas nas praias e baías (Fig. 1), resultante do respectivo desprendimento natural ou provocado pela agitação marítima. A eventual decomposição deste material resulta num odor forte que, por vezes, se torna desagradável. Tradicionalmente, no arquipélago dos Açores como em muitas regiões de Portugal continental, efectuava-se a apanha manual do sargaço em períodos de baixa-mar, para ser utilizado como fertilizante, directamente ou após ser submetido a um processo de trituração. Esta actividade, praticada desde o século XIV, tem vindo a diminuir drasticamente nas últimas décadas, estando na actualidade praticamente extinta. Como resultado, de modo sazonal ocorrem em todo o arquipélago elevadas acumulações de sargaço que na maioria das situações ficam em decomposição na orla costeira.

Do ponto de vista botânico, o termo sargaço é a designação portuguesa das algas castanhas do género Sargassum (Fig. 2), pertencentes à família Sargassaceae, filo Ochlorophyta, que têm como representantes mais conhecidos as espécies características do Mar dos Sargassos (25ºN 70ºW a 35ºN 40ºW). Nos Açores o género está representado por várias espécies, com maior representatividade nas poças da zona entre-marés. Caracterizam-se por ter uma estrutura cartilaginosa, podendo atingir 50 cm de altura. Fixam-se ao substrato por um pé discóide e apresentam ramificação abundante. Os ramos possuem uma nervura mediana e apresentam frequentemente margens serrilhadas. Nas axilas dos ramos desenvolvem-se receptáculos pequenos, bifurcados e pedicelados, muitas vezes cobertos por pequenas pontuações escuras. Ao longo do talo são visíveis ainda pequenos aerocistos (vesículas aéreas) pedicelados. Ana Isabel Neto