saragasso
1 Nome vulgar da espécie botânica Luzula purpureosplendens da família Juncaceae (Monocotiledónea), segundo Palhinha (1966: 142) e Sjögren (2001: 128), também conhecida por sarragasso, segundo Palhinha (1966: 142), ou sargasso, segundo Schäfer (2002: 212).
Segundo Franco e Afonso (2003: 29) e Schäfer (2002: 212), é uma planta vivaz com gemas de renovo à superfície do solo, semi-arrosetada, cespitosa; caules com 20-60 cm, erectos, cilíndricos e poucos estolhos; folhas principalmente basais, em tufos, inteiras, até 25 x 0,8 cm, esparsamente ciliadas; folhas caulinares curtas; flores em inflorescência composta, paniculada a corimbosa, densa, com a maioria das flores agrupadas em fascículos de 2-5 e algumas solitárias; segmentos do perianto purpúreos, cerca de 5 mm; anteras de comprimento cerca do triplo dos filetes; fruto em cápsula, castanho-avermelhado, globoso, com 3 sementes; sementes castanho-escuro, com cerca de 1,5 mm de comprimento. Perene. Floresce de Maio a Julho.
Endemismo açoriano, ocorre em todas as ilhas, excepto Santa Maria e Graciosa (Silva et al., 2005: 152), onde é característica da comunidade chamada de Juniperion brevifoliae, geralmente acima dos 500 m e abaixo dos 1100 m, mas conhecida desde os 150 m até aos 1700 m de altitude. Muito tolerante à secura, cresce preferencialmente entre a vegetação húmida dos prados de altitude, em habitats fortemente expostos, onde exista uma espessa camada de húmus ou um denso tapete de Sphagnum e Polytrychum, tornando-se uma espécie dominante. Nas zonas de prados encharcados encontra-se confinada às áreas mais secas e elevadas dos tufos. Planta pioneira, aparece como uma das primeiras colonizadoras de zonas de escórias. Aparece também nos povoamentos densos da floresta nativa, crescendo inclusivamente sobre as coberturas de musgos que revestem os troncos junto com as espécies de Hymenophyllum (Sjögren, 2001). Luís M. Arruda
2 Grafado sarragaço e serragaço, segundo Costa (1948: 95), na Achadinha, ilha de S. Miguel, é leiva do mato muito enraizada. Luís M. Arruda
Bibl. Costa, C. (1948), Terminologia agrícola micaelense. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 8: 95-102. Franco, J. A. & M. L. R. Afonso (2003), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Volume III, fascículo III, Juncaceae Orchidaceae. Lisboa, Escolar Editora. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.), A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.
