Santos, António Clemente da Costa

[N. Ponta Delgada, 30.7.1937] Estudou no liceu da sua cidade natal entre 1947 e 1954, onde foi aluno distinto e premiado e licenciou-se no Instituto Superior de Agronomia, em 1963. Foi dirigente académico na sua faculdade, como presidente da Associação e vice-presidente da RIA (Reunião InterAssociações Académicas).

Fez serviço militar obrigatório em duas fases, uma primeira em Ponta Delgada e uma segunda em 1969, como capitão miliciano na Guiné Bissau, no agrupamento de Defesa Próxima de Bissau (1970-1972).

Como engenheiro agrónomo iniciou a sua carreira na CUF, em 1964, tendo nesse ano ingressado no quadro técnico agrícola da Fábrica de Tabaco Micaelense e estagiou na Universidade de Kentucky (Estados Unidos da América) no departamento de Tabaco e depois em Portugal. Foi responsável na Fábrica de Tabaco Micaelense pelo desenvolvimento e modernização das técnicas de cultura do tabaco e ensaio de sementes. Em 1966-1973, foi director dos serviços agrícolas da fábrica e, em 1973, foi eleito administrador delegado, cargo que exerceu até à nacionalização da Fábrica de Tabaco Micaelense, em 1975. Quando a empresa foi regionalizada, foi nomeado presidente do Conselho da Administração. Fundou a SOCIDITA para promover a fusão da Fábrica de Tabaco Micaelense com a Empresa Madeirense de Tabacos e as fábricas açorianas Maia e Flor de Angra, que não se concretizou. Negociou com uma empresa americana a participação desta na Fábrica de Tabaco Micaelense, que também não se concretizou devido à nacionalização de 1975.

Fez parte de um grupo de investidores micaelenses que concorreu à privatização de 80% das acções da Fábrica de Tabaco Micaelense, S.A.,. concurso esse que ganharam, com um parceiro estratégico, a Tabaqueira, S.A.. Constituíram a Sociedade Atlântica de Investimentos, S.G.P.S., S.A.. Desde 2004 deixou o Conselho de Administração passando a conselheiro.

Quando da privatização da Tabaqueira S.A. esta empresa passou a ser dominada pela Phillip Morris Internacional. Em 2004 a Phillip Morris vendeu a sua participação a SAMAL, L.da após os que as duas se fundiram na SAMAL, S.A. de cujo conselho de administração é presidente.

Tem participado na vida política micaelense. Integrou um grupo de cidadãos que tomou conta da Comissão Política Distrital da ANP, que convidou João Bosco Mota Amaral para se candidatar como independente a deputado à Assembleia Nacional, em 1969.

Foi membro do Conselho Municipal de Ponta Delgada, em representação da Ordem dos Engenheiros e, depois de 1974, da Câmara do Comércio.

Convidado pelo PSD encabeçou, como independente, a lista que concorreu às eleições para a Câmara Municipal de Ponta Delgada, em 1982, e saiu vencedora. Em 1984, integrou, como Secretário Regional do Comércio e Indústria, o III Governo Regional dos Açores (1984-1988). Durante o seu mandato foi dinamizada a geotermia, a Zona Franca de Santa Maria e iniciou-se a desgovernamentalização da economia.

É cônsul honorário da Grécia, desde 1961. Em 1965, foi nomeado agente consular da França em Ponta Delgada e, em 1976, passou a cônsul honorário daquele país cargo que manteve até ao limite da idade.

Desde 1967 que faz parte da mesa da irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres, sendo desde 1989 o seu provedor.

Foi também presidente do Conselho Directivo da Secção Regional da Ordem dos Engenheiros.

É condecorado com o grau de oficial da Ordre National du Mérite (1975), cavaleiro da Legion d’Honneur (2000) e comendador da Ordem Nacional do Mérito (2002). É ainda cavaleiro «de sanguinis» da Sagrada e Militar Ordem Constantiniana de São Jorge (2005) e da Ordem de São Miguel da Ala (2006). J. G. Reis Leite

Bibl. Uma vida ao serviço dos Açores. Memórias recolhidas e contextualizadas por Fátima S. Dias (2007). Ponta Delgada, Fábrica de Tabaco Micaelense.