Sacramento, D. Fr. Valério do
[N. Lisboa, 1738 m. Lisboa, 6.11.1760] Bispo. Oriundo de uma família humilde, filho de Francisco Rodrigues e de Josefa Dias, nasceu em Lisboa, e estudou no Convento de Santo António dos Capuchos, onde veio a leccionar as cadeiras de Filosofia e Teologia. Guardião do Colégio da Pedreira em Coimbra, provincial dos Capuchos em Portugal, foi qualificador da Inquisição, durante quinze anos (22 de Dezembro de 1724). Nomeado bispo de Angra (foi o décimo), por carta de D. João V (27 de Julho de 1738), designação que não terá sido bem aceite na diocese, por ser um frade capucho, o monarca respondeu, ordenando uma recepção, com pompa e circunstância, ao novo Bispo (14 de Julho de 1741) que chegou à ilha Terceira no mês seguinte (27 de Agosto de 1741), governando a diocese até 1755 e tendo aí entrado em 1742. O resultado foi o esperado: a nobreza local não compareceu e pouco ou raramente se mostrou disposta a acatar as suas decisões. Uma primeira medida certa, esta relativa ao clero foi cuidar dos seus interesses económicos, pelo que as côngruas, ao invés de resultarem dos dízimos, viriam directamente dos cofres do Estado. Ao povo mandou dar pão, apesar da falta de cereais. Uma primeira pastoral foi publicada, com oportunidade e de imediato (11 de Novembro de 1741), confirmando as medidas tomadas pelos seus antecessores. Proibia, no entanto, aos clérigos o uso de traje comum, obrigando-os ao costumeiro de acordo com a sua situação de eclesiásticos, fosse qual fosse o caso, entre outras medidas. Fez uma visita pastoral a Vila do Porto (10 de Julho de 1743). De Ponta Delgada, enviou a sua segunda pastoral (2 de Março de 1744), afirmando o célebre princípio de que toda a reforma do bispado derivava da reforma do clero. A terceira pastoral, redigida em Angra (2 de Fevereiro de 1745), através da qual ordenou aos vigários das freguesias dos montes que delas expulsassem todos os que viviam escandalosamente. Três anos depois (30 de Julho de 1748), publicou uma provisão, a determinar que os religiosos que se ordenassem com património pessoal usassem dos seus bens para sustento próprio. Nova pastoral (25 de Novembro de 1774) consignou uma série de alíneas tendentes a normalizar a conduta do clero, no convívio secular. Ao bispo ficou a dever-se a autorização da fundação de Recolhimento de Jesus Maria José (Mónicas), na cidade de Angra, em 1747. Após dezasseis anos de episcopado, quis retirar-se para Lisboa, renunciando ao bispado (1757), vindo a falecer, nesta cidade, no Mosteiro de Santo António do Campo de Santa Ana, três anos depois. João Silva de Sousa
Bibl. Almeida, F. (1971), História da Igreja em Portugal, nova ed. dir. por Damião Peres, Porto-Lisboa, Livraria Civilização Editora, II: 682. Arquivo dos Açores (1980-1982, 1984), 2.ª ed., Ponta Delgada, Universidade dos Açores, II: 373 e ss.; III: 68-69; VII: 424; IX: 455; XV: 147. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira, reimpressão fac-similada da edição de 1856, Angra do Heroísmo, Governo Autónomo dos Açores, Secretaria Regional de Educação e Cultura, II: 253-260. Pereira, J. A. (1950), A Diocese de Angra na História dos seus Prelados, 2.ª parte, Angra do Heroísmo, Livraria Editora Andrade: 139-149.
