Sá, João de Vasconcelos e

[N. Lisboa, 1785 – m. ibidem, 27.6.1846] Ficou conhecido nos Açores pelo general Vasconcelos. Alistou-se como cadete no Regimento de Infantaria de Lagos, a 16 de Junho de 1796, tendo em1801 participado na «Guerra das Laranjas». Foi promovido a alferes, em 1802, ajudante, em 1806. Neste ano foi tenente-coronel de milícias, mas voltou ao exército de linha em Julho, sendo promovido a major, a tenente-coronel, em 1810 e a coronel, em 1811, ambos estes postos por distinção, e a brigadeiro, em 1819. Exonerado em 1837, foi reintegrado e promovido a marechal de campo, em 1841, e reformado em tenente-general, em 1845.

Quando D. Miguel foi aclamado rei, em 1828, estando Vasconcelos e Sá no estrangeiro, por motivos de saúde, não regressou ao reino. Foi juntar-se ao exército liberal nos Açores e foi nomeado por D. Pedro, em 1832, quando este partiu com o Exército Libertador, governador das armas da Província dos Açores, sediado em Angra, no Castelo de São João Baptista.

Vasconcelos e Sá que era um cartista conservador, deu-se mal no seu comando e acusado pelos radicais e pela carbonária conivente com os prisioneiros miguelistas e com os guerrilheiros, acabou por ser demitido e mandado apresentar-se no Porto. Saiu de Angra a 19 de Setembro de 1832 sendo substituído interinamente pelo brigadeiro Pedro de Sousa Canavarro. D. Pedro parece ter desvalorizado as acusações nomeando-o para uma comissão no estrangeiro. Ao regressar assumiu o governo militar da província da Beira Baixa (1834-1836) cujo governo foi também muito contestado e acabou demitido por não ter apoiado a revolução de Setembro,

Teve carreira política como governador civil de Braga (1838-1841) e eleito deputado, cartista, por Faro para a legislatura de 1840-1842 e pela província do Algarve para a de 1842-1845 sendo cabralista.

Havendo discrepância nas datas de nascimento e morte entre a informação de Filomena Mónica e a de Pereira da Costa, optei por esta última.

Era comendador da Ordem de São Bento de Avis, cavaleiro da Ordem de Cristo e da Torre e Espada e recebeu a Cruz da Guerra Peninsular (por quatro campanhas). J. G. Reis Leite

Bibl. Costa, A. J. P. (coord.) (2005), Os generais do Exército Português. Lisboa, Biblioteca do Exército, II, 1: 160-161. Leite, J. G. R. (2007), Teotónio de Ornelas. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura: 77 e segs.. Mónica, M. F. (coord.) (2006), Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). Lisboa, Assembleia da República, III: 514.