Sá, Francisco do Rego de

[N. S. Miguel, ? – m. Ponta Delgada (?), 1595 (?)] Nobre micaelense, das principais famílias da ilha, destacou-se como armador e, sobretudo, no exercício das armas, o que lhe valeu a designação de «grão capitão», atribuída por D. Sebastião, conforme se pode ler em Gaspar Frutuoso. Filho de Gaspar do Rego Baldaia e de sua segunda mulher, D. Margarida de Sá, casou com D. Roquesa Nunes Botelho, filha de Jorge Nunes Botelho, da influente família dos Botelhos, e de Margarida Travassos, de quem não teve geração. Foi também um grande senhor de terras, sucedendo na casa paterna. Todavia, se Gaspar do Rego Baldaia tinha uma fazenda avaliada em 360 ou 366 moios de renda e foros, «tantos quantos dias há no ano», o filho, com os gastos tidos no serviço régio, à data em que Gaspar Frutuoso (1981, II: 152-153) redigia a sua crónica, «não logra[va] toda a fazenda de seu pai». No reinado de D. Sebastião, armou três navios com o objectivo de proteger as ilhas de ataques inimigos e, ao comando da sua pequena frota, perseguiu e capturou vários navios corsários (Frutuoso, 1977, I: 238-246). Filipe II confirmou-o no hábito da Ordem de Cristo a 10 de Dezembro de 1586. Sem descendentes directos, por testamento de 25 de Março de 1595, instituiu por herdeira sua mulher e, por morte desta, o sobrinho, Gaspar do Rego Baldaia. Ernesto do Canto, em nota ao seu nome em genealogia baseada em Gaspar Frutuoso, registou que morreu em África (Marrocos) (Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, Livraria Ernesto do Canto, Manuscritos, Livro 133-A: 106). José Damião Rodrigues

Fontes: Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, Livraria Ernesto do Canto, Manuscritos, Livro 133-A.

 

Bibl. Frutuoso, G. (1977-1987), Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 6 livros [várias edições]. Rodrigues, R. (1998), Genealogias das ilhas de S. Miguel e Santa Maria. Ponta Delgada, Sociedade Afonso Chaves, I.