Sá, Aires

[N. Lisboa, 13.10.1873 – m. ibidem, 8.2.1951] De seu nome completo Aires Augusto de Sá Nogueira e Vasconcelos fez o curso superior de Letras em Lisboa, entre 1894-1897. Foi nomeado bibliotecário da Biblioteca do Real Paço de Mafra em 1900 e demitiu-se em 1910, quando da implantação da República. Foi também bibliotecário dos Reis e em 1931 foi nomeado conservador do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Era da família, sobrinho neto, do Marquês de Sá da Bandeira e tinha uma autêntica obsessão pela genealogia familiar e sua ligação à Casa Real Portuguesa, fazendo verdadeiros malabarismos genealógicos para pôr em evidência a sua própria ligação às famílias reais europeias.

Dedicou-se desde novo aos estudos históricos e geográficos, auto-intitulando-se historiador da Marinha Portuguesa nos séculos XII a XV.

Foi professor da cadeira de Geografia Antiga no Curso Superior de Bibliotecário Arquivista.

A maior parte da sua obra é dedicada à figura e obra de Gonçalo Velho Cabral, de quem se reclamava parente, defendendo a tese de ter sido ele o descobridor dos Açores em 1431 e o povoador, a partir de 1432. Interpretou também a viagem de Velho Cabral para os Açores como o início do descobrimento do caminho equatorial das Américas. Considerou D. João I, o Infante D. Henrique e Gonçalo Velho Cabral os fundadores do Império Português.

Foi entusiasta da celebração do centenário do descobrimento dos Açores em 1932, no que foi muito contestado e atacado pelo historiador António Ferreira Serpa. J. G. Reis Leite

Obra principal. (1899-1900), Frei Gonçalo Velho. Lisboa, Imprensa Nacional, 2 vols. (1941), A tríada fundadora do Imperio Portuguez. Lisboa, Bertrand [tem anexo a bibliografia de Aires de Sá referente, directa e indirectamente a Gonçalo Velho Cabral].

 

Bibl. Dicionário Bibliográfico Português (1973). Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, XXII: 499; Aditamento: 82. Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira (s.d.). Lisboa, Editorial Enciclopédia, 26: 439.