Rosa, Euclides Silveira da
[N. Conceição, Horta, 31.10.1909 m. S. Paulo, Brasil, 16.10.1979] Engenheiro por correspondência, electrotécnico da companhia de cabo telegráfico submarino norte-americana Comercial Cable Cy, tornou-se conhecido, internacionalmente, graças à sua arte de trabalhar o chamado «miolo de figueira brava».
Segundo Greaves (1941), Euclides Rosa contactou esta arte com o padre João Pereira da Silva, construtor da miniatura de navio à vela que a Pan American adquiriu para oferecer à esposa do Presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Roosevelt, que este agradeceu por carta dirigida àquele padre.
Não foi aluno de Pereira da Silva, mas a observação da arte deste abriu-lhe a perspectiva de também modelar o «miolo de figueira». Começou por construir uma miniatura do navio Queen Mary, primeiro a partir de uma fotografia mostrando a embarcação parcialmente, obra muito criticada, depois, repetida com base nos planos do navio obtidos na Inglaterra (Lopes, 1958; Telégrafo (O), 1946b). Deixou colecção vasta, incluindo diversos modelos de moinhos típicos dos Açores, do edifício do Amor da Pátria, de uma aldeia açoriana, da torre de Belém, dos transatlânticos Bremen e Normandie e do couraçado Hood, entre outros (Lopes, 1958).
O Museu da Horta tem em exposição permanente uma colecção de miniaturas em miolo de figueira produzidas por Euclides Rosa, única no mundo, que lhe foi doada pela viúva, D. Leonor Rosa, em 1980.
Fez exposições na Horta (1941; 1946) (Greaves, 1941; Telégrafo (O), 1946a), em Angra do Heroísmo (1946), em Ponta Delgada (1946), no Funchal (1947), em Roterdão e noutras cidades da Holanda, com intervenção da Rainha Guilhermina, S. Paulo (Brasil) (1948) (Telégrafo (O), 1946b; 1946e; 1948a; 1948c) e Lisboa (1950) (Correio da Horta, 1950).
Em 1984, a Câmara Municipal da Horta deliberou custear a trasladação dos restos mortais de Euclides Rosa bem como ceder mausoléu para seu depósito. As ossadas chegaram à Horta em Novembro de 1986 (Boletim Municipal, 1984; 1986). Em 22 de Fevereiro de 1989, aquela edilidade deliberou dar o nome Euclides da Rosa a um arruamento sito no loteamento municipal da Rua Doutor Neves (Câmara Municipal da Horta, Livro de Actas, 125: fl. 68). Luís M. Arruda
Bibl. Greaves, M. (1941), Modêlos de miolo de figueira. O Telégrafo, Horta, n.º 12.526, 9 de Junho. (1946a), Entrevista concedida por Euclides Rosa, O Telégrafo, Horta, n.º 14.113, 16 de Novembro. (1946b), Entrevista concedida por Euclides Rosa, O Telégrafo, Horta, n.º 14.114, 18 de Novembro (1948a), Euclides Rosa abriu uma exposição em S. Paulo, O Telégrafo, Horta, n.º 14.589, 6 de Julho. (1948b), Euclides Rosa chegou ao Brasil, O Telégrafo, Horta, n.º 14.459 [notícia de que vai expor, brevemente, os seus trabalhos de «miolo de figueira»]. (1948c), Euclides Rosa no Brasil, O Telégrafo, Horta, n.º 14.467, 30 de Janeiro [inaugurou a exposição]. (1948d), Euclides Rosa no Brasil, O Telégrafo, Horta, n.º 14.509, 23 de Março [sobre a exposição]. (1949), Uma carta, O Telégrafo, Horta, n.º 14.861, 2 de Junho. (1950), Euclides Rosa, Correio da Horta, Horta, n.º 5.504, 22 de Novembro.
