Rodrigues, José Maurício

[N. Évora, ca. 1766 – m. Ponta Delgada, ca. 1841] Assentou praça como soldado a 26 de Janeiro de 1884 e foi sucessivamente promovido a alferes, em 1789; ajudante, em 1794; capitão, em 1796; major, em 1809 e graduado em tenente-coronel, em 1811. Era o que se pode chamar um oficial de tarimba, sem estudos científicos e de gramática portuguesa, mas zeloso e activo sendo contudo desleixado. Serviu por 12 anos em África e foi em Angola governador de Benguela. Participou na Guerra Peninsular, recebendo a cruz de distinção na batalha de Albuera. Serviu no Regimento de Infantaria 10, que comandou, sendo em 1812 suspenso desse comando para justificar a sua conduta pouco digna. Em 1818 já estava reformado e obteve licença para se deslocar ao Rio de Janeiro por um ano.

Por carta régia de 30 de Julho de 1825 foi nomeado governador militar da ilha de S. Jorge, tomando posse a 24 de Novembro. Foi ele que presidiu ao juramento da Carta Constitucional nas Velas (3 de Setembro de 1826) vindo a tornar-se, com a aclamação de D. Miguel como rei absoluto, a 25 de Outubro de 1828, no campeão do absolutismo na ilha perseguindo os liberais. Foi demitido por ordem de 30 de Dezembro de 1828 da Junta Provisória estabelecida em Angra depois do restabelecimento da Carta Constitucional mas esta ordem não tinha maneira de se cumprir por a Junta não ter meios efectivos de se fazer obedecer fora da Terceira. Acabou prisioneiro de Vila Flor, quando da conquista da ilha em Julho de 1831 e encerrado no Castelo de S. João Baptista.

Com a vitória liberal foi julgado em Conselho de Guerra e condenado a quatro anos de deportação na ilha de Santa Maria, onde se estabeleceu o depósito dos prisioneiros de guerra. Recebiam estes prisioneiros uma pensão de 25 réis diários, as mulheres 100 réis e os filhos 50 réis cada um, pagos irregularmente.

Como os outros não cumpriu a pena até ao fim, fixando residência em Ponta Delgada onde em 1840, segundo um testemunho do comandante da 10.ª Divisão, vivia com a família em precárias circunstâncias ou como diz o comandante Nuno Furtado em «honrosa indigência sustentando-se e à família unicamente de batatas» quando tinha vivido abastadamente.

Foi amnistiado, no fim da vida, nos termos da carta régia de 24 de Agosto de 1840. J. G. Reis Leite

Fonte. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), cx. 459.

 

Bibl. Avelar, J. C. S. (1902), Ilha de S. Jorge. Apontamentos para a sua história. Horta, Tip. Minerva Insulana: 91-92, 375-392. Supico, F. M. (1995), Escavações. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, I: 31; II: 803.