Rodovalho, João Máximo da Silva
[N. Angra, 21.2.1803 m. Lisboa (?), 20.4.1887] Sem qualquer preparação académica específica e sem o curso naval, unicamente devido à sua prática no mar e brilhante folha de serviço atingiu o posto de vice-almirante (15 de Maio de 1873).
De uma família da nobreza rural da ilha Terceira foi desde muito novo piloto de navios do comércio. Apoiou na Terceira a causa liberal e assentou praça como piloto em 25 de Janeiro de 1831, passando a pilotar o brigue Boa Esperança, um dos dois únicos barcos que formavam a pequena esquadra ao serviço das forças liberais. Participou na conquista das ilhas pelo general Vila Flor e seguiu com o Exército Libertador para o Porto, tendo sempre na marinha dado apoio, no Rio Douro, ao flanco sul das forças cercadas na cidade.
Já capitão-tenente comandou, a partir de 1842, a escuna Cabo Verde e desde meados de 1844 fez três viagens a Angola, onde se distinguiu pela eficiência da luta contra o tráfico negreiro, aprisionando vários barcos que eram usados no ilícito tráfego de escravos. Um desses barcos aprisionados e depois convertido em transporte de Estado, em Angola, recebeu o seu nome. Passou a comandar a corveta Relâmpago intensificando a vigilância da costa de Angola.
Como capitão de fragata passou a comandar a Estação Naval de Angola (1853-1857). Participou nas campanhas contra os insurrectos da Catumbela e Dombes, ao norte de Benguela, e em 1855 ocupou Ambriz, segundo os direitos da coroa portuguesa.
Regressou a Lisboa, sendo louvado pela sua acção. Em 1857 comandou os vapores Infante D. Luís e Mindelo. Em 1860, promovido a capitão-de-mar-e-guerra, passou a comandante do corpo de marinheiros e por inerência da nau Vasco da Gama. Em 1866 é promovido a contra-almirante e passou a capitão do porto de Lisboa e depois a chefe do Departamento Marítimo do Centro.
Em 1873 passou à reforma no posto de vice-almirante.
Recebeu as ordens da Torre e Espada, nos graus de Cavaleiro (1845), Oficial e Comendador; Avis, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Comendador; além das medalhas de ouro de bons serviços e prata, de comportamento exemplar. Era condecorado com a medalha das Campanhas Liberais, n.º 6. Foi feito conselheiro por carta de 6 de Novembro de 1867. J. G. Reis Leite
Bibl. Amaral, F. R. C. R. (1979), A marinha portuguesa na luta contra a escravatura. Um açoriano na repressão do tráfico da escravatura e na marinha do seu tempo. Atlântida, Angra do Heroísmo, XXIII, 4: 9-45.
