Rio, Manuel Alves do
[N. Braga, 6.3.1767 m. Lisboa, 2.10.1849] Foi bacharel em Cânones pela Universidade de Coimbra (1794), seguiu a carreira da magistratura, tendo em 1800 sido nomeado juiz vitalício do Terreiro Público do termo de Lisboa. Em 1810 foi preso na sua Quinta da Pimenteira, em Alcântara, nos arredores de Lisboa, acusado de favorável aos franceses e implicado na Setembrizada sendo deportado para os Açores, com outros, que ficaram conhecidos pelos *deportados da Amazonas. Depois de uma estada em Angra foi-lhe fixada residência em Ponta Delgada, onde desenvolveu actividade de propaganda política e maçónica entre 1812 e 1814, data em que, amnistiado, regressou ao continente. Fez então parte de lojas maçónicas que prepararam a revolução de 1820, entre elas a «Formosa Lusitana» que ajudou a fundar.
Foi eleito deputado pela Estremadura às Constituintes de 1821 e exerceu intensa actividade no parlamento. Voltou a ser eleito para as Cortes ordinárias de 1822 por Tomar e quando estas foram dissolvidas, em 1823, foi um dos obrigados a assinar termo de reforma da sua conduta política.
Em 1822 foi sócio fundador da Sociedade Promotora da Indústria Nacional e em 1824 Director do Banco de Lisboa, ao qual pertenceu, com interrupções até ao fim da vida.
Com a outorga da Carta Constitucional (1826) foi escolhido para deputado às Cortes pela Província dos Açores, eleito em Fevereiro de 1827. Nesse período voltou a ter actividade maçónica. Com a aclamação de D. Miguel rei absoluto, exilou-se em França, onde continuou a sua luta política. Regressado a Portugal depois da vitória liberal, foi vereador da Câmara de Lisboa, em 1835 e eleito deputado na sequência da Revolução de Setembro de 1836 para a Constituinte de 1837, onde alinhou nas votações com a centro-direita. Nos anos quarenta, já velho, com cerca de 80 anos, lutou contra o cabralismo. J. G. Reis Leite
Bibl. Castro, Z. O. (2002), Dicionário do Vintismo e do Primeiro Cartismo. Lisboa, Assembleia da República, II: 533-554. Leite, J. G. R. (1999), As primeiras eleições cartistas nos Açores em 1826. Arquipélago História, Ponta Delgada, 2.ª série, III: 325-380.
