Ribeiro, Fructuoso José
[N. Angra, 11.10.1769 m. ibidem, 18.2.1841] Seu pai, homónimo, natural de Braga, estabeleceu-se em Angra onde foi negociante de sobrado e chefe de uma das famílias mais proeminentes da burguesia local onde além do biografado existiram outras figuras destacadas da igreja, um cónego da Sé e duas freiras, uma delas abadessa, no convento da Conceição. Outro dos seus irmãos foi o grande comerciante João da Rocha *Ribeiro.
Estudou em Coimbra onde se matriculou em Direito em 1792, saindo bacharel em Cânones em 1796 e licenciado no ano seguinte, já ordenado sacerdote. De regresso à sua cidade natal foi feito cónego da catedral em 1812 e sucessivamente promotor e vigário-geral. Em 1827, tendo morrido o deão e o vigário capitular, Dr. José Maria Bettencourt Vaconcelos e Lemos, foi eleito pelo cabido (24 de Janeiro) vigário capitular e em Maio seguinte nomeado deão, pela regência do Reino, tomando posse a 7 de Junho. Em Setembro desse ano foi comunicado ao cabido que seria transferido para a diocese de Angra o bispo de Meliapor, D. Frei *Estêvão de Jesus Maria e este em Março de 1828 nomeou o Dr. Fructuoso Ribeiro governador do bispado enquanto não viesse para a sua nova diocese.
Entretanto complicou-se a vida política na ilha Terceira, com a aclamação de D. Miguel como rei absoluto em Maio o que desencadeou a 22 de Junho seguinte uma revolta de Caçadores 5 que depôs o capitão-general e restabeleceu a realeza de D. Maria II e a Carta Constitucional. Formou-se então uma *Junta Governativa da qual devia fazer parte o Dr. Fructuoso José Ribeiro, como governador do bispado e como deão, na ausência do bispo. Contudo, o deão foi declarado suspeito, por si e como representante do bispo, que havia apoiado a aclamação de D. Miguel e pressionado para abandonar o governo da diocese. Tentou o Dr. Fructuoso Ribeiro resistir, mas ameaçado de prisão acabou por aceitar depor o governo do bispado nas mãos da Mesa Capitular e retirou-se como pessoa particular para S. Miguel, podendo-se entender isto como um acordo entre as autoridades emergentes da revolta liberal e as autoridades eclesiásticas para evitar maiores males.
É claro que quem preparou esta solução foi o presidente do cabido, João José da Cunha *Ferraz, revolucionário ele também e até membro da Junta Governativa, tendo esta, com a saída do deão, mandado que a diocese fosse governada no temporal e no espiritual pelo presidente do cabido, que até era membro da Junta.
Em termos canónicos quebrava-se a hierarquia e a diocese separava-se do seu bispo começando os «governadores intrusos», situação que se prolongaria até à chegada de D. Frei Estêvão aos Açores, em 1840.
Acalmada a situação política o Dr. Fructuoso José Ribeiro regressou a Angra onde morreu, mas não voltou a governar a diocese porque o bispo D. Frei Estêvão não foi autorizado a nomeá-lo governador do bispado, em 1839, como pretendia. J. G. Reis Leite
Fontes. Arquivo da Universidade de Coimbra, Matrículas (1792), Exames (1796, 1797).
Bibl. Drumond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira, 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, IV: 121-122. Merelim, P. (1974), As 18 paróquias de Angra. Sumário histórico. Angra do Heroísmo, edição do autor. Pereira, J. A. (1950), A diocese de Angra na História dos seus prelados. Angra do Heroísmo, Liv. Andrade: 266-273.
