Ribeiro, António Hintze
[N. Ponta Delgada, 13.6.1875 m. Lisboa, 19.3.1944] Fez o curso de Artilharia na Escola do Exército e estudou complementares na Faculdade de Ciências, ficando com o curso de engenheiro industrial.
Foi expedicionário do Regimento de Artilharia Montada de Queluz em Moçambique (1899-1901). Com a implantação da República, mantendo-se monárquico, demitiu-se do Exército e passou à vida civil dando lições de matemática e dedicando-se posteriormente à administração das propriedades da mulher (D. Estela Anjos Jardim, filha dos conde de Valenças) no Alentejo e em S. Miguel.
Esteve implicado como participante no movimento de Monsanto que levou Sidónio Pais ao poder e depois do seu assassinato participou activamente na tentativa de restauração monárquica, a «Monarquia do Norte» e por isso foi preso (1921-1922). Era o representante do distrito de Ponta Delgada no Conselho Superior da Causa Monárquica, mas em 1932, depois da morte de D. Manuel II e correspondendo ao apelo de Salazar para que os monárquicos abandonassem as tentativas restauracionistas, aderiu à União Nacional e passou a ser o delegado da Comissão Distrital em Ponta Delgada (1935-1944). Foi também presidente da Assembleia Geral da Casa dos Açores em Lisboa (1940-1944).
As suas sucessivas opções políticas levaram-no a ter uma vida parlamentar que atravessou os três regimes (Monarquia, República e Estado Novo).
Durante a Monarquia como filiado no Partido Regenerador, foi eleito deputado pelo círculo de Ponta Delgada em 1906 e 1908, e voltou a sê-lo em 1910 para uma legislatura que não chegou a reunir dado a implantação da República. No Parlamento teve papel apagado e pouco assíduo intervindo somente em questões relacionadas como seu círculo.
No consulado sidonista voltou ao parlamento eleito na lista dos monárquicos, em 1918, e com a queda desta, nas eleições de 1921 foi eleito de novo deputado pelo círculo de Ponta Delgada como independente, mas nas listas do Partido Regionalista e no meio de grande contestação política devido à sua filiação monárquica e ligação ao sidonismo.
Finalmente voltou a ser eleito como deputado para a I, II e III Legislaturas da Assembleia Nacional (1935-1944) comportando-se sempre como deputado regionalista e interessando-se acima de tudo por questões açorianas e principalmente micaelenses o que lhe valeu um forte apoio em S. Miguel. Nos seus discursos parlamentares aborda problemas como a Província dos Açores, que rejeita (1935), produção do chá (1937), a organização militar insular com a criação de um governo militar (1937) e a autonomia (1938) e outros de menor dimensão.
Apresentou ao Congresso Açoriano, em 1939, uma tese sobre o chá açoriano em cuja produção era directamente interessado como administrador de uma das fábricas micaelenses. J. G. Reis Leite
Bibl. Mónica, M. F. (coord.) (2006), Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). Lisboa, Assembleia da República, III: 439-440. Cruz, M. B. (dir.) (2005), Dicionário Biográfico Parlamentar (1935-1974). Lisboa, Assembleia da República, II: 457-459. Leite, J. G. R. (1995), Política e administração nos Açores de 1890 a 1910. O primeiro movimento autonomista. Ponta Delgada, Jornal de Cultura: 194-225. Marques, A. H. O. (2000), Parlamentares e ministros da Primeira República (1910-1926). Lisboa, Assembleia da República: 369-370. Menezes, L. (1992), As eleições legislativas de 1921 e 1925 no arquipélago dos Açores. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura: 103-138.
