Ribeiras (freguesia)

Geografia Freguesia do concelho das Lajes, situada na costa sul da ilha do Pico. É limitada a norte pelas freguesias da Prainha e Santo Amaro (concelho de São Roque), a este pela freguesia da Calheta de Nesquim, a oeste pela freguesia das Lajes do Pico e a sul pelo Oceano Atlântico. Apresenta uma configuração rectangular, com cerca de 34,2 Km2, o que corresponde a 22 % da superfície concelhia, distando da sua sede 7,5 Km, aproximadamente.

A topografia desta freguesia é bastante acidentada com declives acentuados no sentido norte-sul (Figura 1). A parte mais alta corresponde ao trecho sul do «Planalto da Achada», unidade marcada pela grande altitude, que se estende dos flancos da Montanha à Ponta da Ilha. Desta estrutura destaca-se, a oeste, uma escarpa de falha com um desnível muito acentuado e a plataforma costeira das Ribeiras. O território pertence ao Complexo Vulcânico de São Roque-Piedade, a este, e ao Complexo Vulcânico Topo-Lajes, a oeste. A linha de costa, com 12,3 Km, é baixa, recortada e com alguns acessos ao mar, formando uma grande baía interrompida por pequenas pontas, desde o lugar de Santa Bárbara até à Baía do Calhau Miúdo. A partir desta localidade, a costa torna-se mais alta e linear. As principais linhas de água nascem no Planalto da Achada e apresentam regime torrencial. Salienta-se ainda a presença da Lagoa Rosada e da Lagoa José Inácio, sistemas lacustres dotados de interesse hidrológico e ambiental. Quanto à conservação da natureza, parte da freguesia integra o Sítio de Interesse Comunitário (SIC) da Montanha do Pico, Prainha e Caveiro e a Zona de Protecção Especial (ZPE) da Zona Central do Pico.

Em termos de ocupação humana, o padrão de povoamento é do tipo linear, desenvolvendo-se o edificado junto à estrada regional. Contudo, em Santa Cruz e Santa Bárbara, os principais aglomerados populacionais, observa-se um sistema urbano mais estruturado. A agricultura, pecuária, pesca, lacticínios, construção civil, restauração e o comércio são as principais actividades económicas locais. O porto de pescas é a principal infra-estrutura. Apesar de no início do século XX ter sido uma freguesia populosa, com cerca de 2147 habitantes, a população residente tem vindo a diminuir até 2001, à excepção do período 1920-1940 (Figura 2). No XIV Recenseamento Geral da População (INE, 2002) registaram-se 1045 habitantes, valor correspondente a uma densidade populacional de 30,6 hab/Km2. João Mora Porteiro

Bibl. Instituto Nacional de Estatística (2002), XIV Recenseamento Geral da População. Lisboa, Instituto Nacional de Estatística