Rey, Alberto Pereira
[século XVIII] Presbítero secular açoriano, que por falta de informações biográficas, que já atormentaram Barbosa Machado na Biblioteca Lusitana, Inocêncio chegou a duvidar que existisse. Foi o Dr. João Teixeira Soares que recolheu na segunda metade do século XIX provas não só da sua existência, mas ainda alguns dados da sua vida. Assim, sabemos hoje ao certo que foi pároco nas Velas, ilha de S. Jorge, e que entre 1722 e 1724 estava na Urzelina, sem encargo público. Teixeira Soares propôs mesmo esta freguesia como seu local de nascimento, por aí existir no final do século XVII uma pessoa com apelidos iguais aos do padre, mas tal até agora não foi comprovado. Sabemos também que Pereira Rey permaneceu em Angra (1726 a 1736) e nas Velas (1743 a 1745).
Em 1753 o nosso padre estava em Lisboa e querendo os residentes açorianos na freguesia de Santa Isabel, então subúrbio da cidade, celebrar o Bodo do Espírito Santo, tal desejo provocou a chacota do povo. Coube ao padre Rey defender a piedade dos seus conterrâneos e para isso escreveu um opúsculo em louvor das Festas do Espírito Santo explicando o seu sentido. O escrito é hoje do maior interesse para a história deste culto nas ilhas e no continente, onde desaparecera já em Lisboa, ainda que modesto e sem crítica.
A sua obra intitulada Breve notícia das festas do Imperador ... recebeu todas as licenças necessárias e foi impressa em 1753. Talvez por ser pequena a edição tornou-se numa grande raridade bibliográfica, só se conhecendo hoje um exemplar o qual pertenceu à Livraria do Convento de Jesus da qual passou à Biblioteca da Academia das Ciências (cota Reservados 18.12). É um livrinho em 8.º com 50 páginas não numeradas e uma gravura representando a rainha Santa Isabel a dar esmola, compõe-se de uma «Notícia ao leitor» e da «Breve notícia».
Ernesto do Canto reproduziu este opúsculo no Arquivo dos Açores, sem a gravura e mais recentemente Pinharanda Gomes fez dele uma edição com um estudo introdutório e notas. J. G. Reis Leite
Obra. Breve noticia das festas do Imperador e Vôdo, que em honra, e louvor, do Divino Espírito Santo costumam fazer muitas cidades, villas ou lugares deste reyno de Portugal e ilhas adjacentes, e do principio tambem da sua irmandade, dado à luz pelo padre Alberto Pereira Rey, presbytero secular e natural das mesmas ilhas. Lisboa, Na officina dos herdeiros de António Pedroza Galvão. Anno MDCCLIII com todas as licenças necessárias. [2.ª ed., Arquivo dos Açores, 1980, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, III: 285-297; 3.ª ed., 1998, Lisboa, Edição de J. Pinharanda Gomes].
Bibl. Dicionário Bibliográfico Português (1973). Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, XX: 116. Gomes, J. P. (1998), Prefácio In Breve notícia das festas do Imperador e Vôdo do Divino Espírito Santo. Lisboa, edição do autor: 7-15.
