Reserva Natural da Montanha da ilha do Pico
Foi criada em 1982, através do Decreto Regional n.º 15/82/A de 9 de Julho. Antes, em 1972, pelo Decreto n.º 79/72, de 8 de Março, a montanha da ilha do Pico havia sido considerada uma reserva integral. Com uma área de aproximadamente 1500 ha, integra toda a parte superior do edifício vulcânico a partir dos 1.200 m de altitude. Está incluída no Sítio de Interesse Comunitário da Montanha do Pico, Prainha e Caveiro.
A montanha do Pico, com uma altitude de 2.351 m, é um edifício vulcânico bastante recente, formado essencialmente por escoadas de lava basáltica localmente cobertas e por piroclastos, os denominados «areeiros». Tem forma de cone quase perfeito, que ganha inclinação a partir de 1.200 m de altitude, terminando em depressão atapetada por escoadas lávicas e piroclastos, com cerca de 600 m de diâmetro e 30 m de profundidade, cuja bordeira se apresenta preservada nos flancos sul e oeste. Situado no bordo leste desta depressão, o Pico Pequeno ou Piquinho, o cume da montanha, é um cone vulcânico com cerca de 70 metros de altura e vertentes formadas por digitações de lavas basálticas (lavas em tripas). No interior da depressão e no Pico Pequeno ocorrem diversas fumarolas.
O clima, a morfologia do terreno e as suas características geológicas deram origem a uma grande variedade de habitats que propiciam a existência de grande diversidade de espécies biológicas, muitas endémicas, protegidas por lei.
Da comunidade vegetal, ainda podem ser encontradas manchas da floresta primitiva das ilhas atlânticas de louro-cedro ou *laurissilva, onde sobressaem exemplares muito antigos. Daquela adaptada a condições adversas de temperatura e vento, atinge maior expressão o mato rasteiro, onde domina a rapa (Calluna vulgaris) acompanhada pela erva-úrsula (Thymus caespititius) (Lamiácea) e pelo queiró (Daboecia azorica) (Ericaceae). Com o incremento da altitude, a vegetação arbustiva vai-se mostrando reunida em moitas esparsas. Acima dos 1.500 metros de altitude apenas subsistem plantas rasteiras.
Acima de 2.200 m de altitude ocorre uma subespécie de bermim ou *abremim, a espécie Silene uniflora ssp. cratericola (Cariofilácea), endémica desta montanha.
A natureza e a juventude das lavas proporcionam a ocorrência de inúmeras cavernas vulcânicas que abrigam fauna cavernícola interessante, de que se salientam as espécies Trechus picoensis, Trechus montanheirorum (Carabidae) e Cixius azopicavus (Cixiidae), endémicas da ilha do Pico.
A subida à montanha do Pico, o ponto mais alto dos Açores e de Portugal, é o percurso mais grandioso desta ilha e certamente um dos mais recompensadores do arquipélago. As suas vertentes não são difíceis de vencer, excepto nalguns troços íngremes de pequenos calhaus soltos provenientes da fracturação de derrames lávicos, que exigem algum esforço, mas é aconselhável o uso de bastões. Mais, a subida da montanha depende muito das condições meteorológicas, bastante instáveis. A chuva e o nevoeiro ocorrem frequentemente, neva no inverno, e a temperatura no cimo da montanha é geralmente menos 10ºC do que no início da subida.
Um trilho, bem assinalado, permite subir a montanha a pé. Inicia da estrada regional, a menos de 500 m de distância do Cabeço das Cabras (1.231 m). A distância até ao topo da montanha é de aproximadamente 7 km.
O Piquinho, o ponto mais elevado de Portugal, é o miradouro com as vistas mais amplas do arquipélago. Dele pode-se realizar a imensidade do oceano e avistar as ilhas do grupo central (Faial, a oeste; S. Jorge e Graciosa, a nordeste; e Terceira, a és-nordeste). A sudeste, pode observar-se o planalto central da ilha.
A subida da montanha deve ser empreendido de preferência no verão, por caminhantes experimentados ou com recurso a um guia local. Os caminhantes devem estar informado de que a descida exige os mesmos cuidados da subida.
Em Junho e Julho, a erva-úrsula e a queiró encontram-se em época de floração, cobrindo de rosa e cor-de-vinho as encostas mais elevadas da montanha. O melro-preto (Turdus merula azorensis) (Lamiácea) surge no cimo da montanha dando vida à paisagem agreste. Luís M. Arruda
Bibl. Carqueijeiro E. (Coord.) (2005), Áreas ambientais dos Açores. [Horta], Secretaria Regional do Ambiente e do Mar/Direcção Regional do Ambiente.
