Reserva Natural da Lagoa do Fogo

Situada no maciço vulcânico da Serra de Água de Pau, no centro da ilha de S. Miguel, tem esta classificação desde 1974. Integra a caldeira de colapso localizada no topo do vulcão do Fogo, também denominado de Água de Pau, e a lagoa formada no fundo desta.

A caldeira com forma elíptica e dimensões aproximadas de 3 km x 2,5 km, a mais jovem daquela ilha, ter-se-á formado há cerca de 15.000 anos, mas a sua configuração actual será também resultado da última subsidência importante ocorrida naquele edifício vulcânico, há cerca de 5 mil anos. A erupção mais recente deste vulcão ocorreu em 1563.

A lagoa, a cerca de 575 m de altitude, a mais elevada entre as existentes na ilha de S. Miguel, pode atingir 30 m de profundidade, é um dos biótopos mais importantes do arquipélago açoriano.

De acordo com a Directiva n.º 92/43/CEE, relativa à conservação dos habitats naturais da flora e fauna selvagens, e por Decisão da Comissão Europeia de 28 de Dezembro de 2001, a Reserva Natural da Lagoa do Fogo é considerada Sítio de Interesse Comunitário, integrando a Rede Natura 2000.

Dentro do perímetro da reserva, que ocupa 1.360 ha de área, encontram-se espécies botânicas endémicas como o cedro-do-mato (Juniperus brevifolia) (Cupressaceae), o louro (Laurus azorica) (Laurácea) e o sanguinho (Frangula azorica) (Rhamnaceae); e espécies de aves, como as marinhas, gaivota (Larus cachinnans atlantis) (Laridae) e grajau-comum (Sterna hirundo) (Sternidae), e as terrestres, pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica) (Columbidae), milhafre ou queimado (Buteo buteo rothschildi) (Accipitridae) e melro-preto (Turdus merula azorensis) (Lamiaceae).

Importante do ponto de vista paisagístico, a caldeira da Lagoa do Fogo é acessível a partir da estrada Lagoa-Ribeira Grande. Pelo caminho ocorrem manifestações geotérmicas como as da Caldeira Velha que o visitante pode aproveitar para banhos naturais aquecidos entre vegetação luxuriante e fetos arbóreos gigantes. É possível descer até junto da lagoa e percorrer a sua periferia, mas aos visitantes, que devem ser em número reduzido, são recomendados cuidados especiais. A cor da sua água pode variar do azul até ao verde esmeralda em função da sua profundidade e das condições atmosféricas. Luís M. Arruda

Bibl. Carqueijeiro E. (Coord.) (2005), Áreas ambientais dos Açores. [Horta], Secretaria Regional do Ambiente e do Mar/Direcção Regional do Ambiente.