Reixa, António Florêncio

[N. Portalegre, ?.10.1783 – m. Lisboa, 18.3.1860] Assentou praça em 6 de Setembro de 1803 como cadete e foi sucessivamente promovido a alferes, em 1809; tenente, em 1812; capitão, em 1818; major, em 1834; tenente-coronel, em 1843 e reformado em coronel em 1845.

Fez as campanhas da Guerra Peninsular, onde foi condecorado com a Cruz de Ouro n.º 5 e o hábito de S. Bento de Avis. Apoiou a revolta de 1820 «que abriu as portas da Liberdade Constitucional da Nação Portuguesa», como ele mesmo diz num requerimento. Em 1824, devido às ideias liberais, foi por sentença do Conselho de Justiça expulso do serviço e degredado para Cabo Verde onde esteve três anos. Em 1828 apresentou-se aos liberais revoltados no Porto e foi então reintegrado no Exército pela Junta Provisória. Acompanhou na retirada para a Galiza a Divisão Libertadora exilando-se em Inglaterra de onde seguiu para o Rio de Janeiro. Regressou para o exílio na França, mas não fez parte do grupo de exilados que desse país passaram à Terceira em 1832. Esteve em Londres, de onde tentou passar ao Porto para se incorporar no Exército Libertador mas viu as suas tentativas frustradas e só atingiu o Porto em Julho de 1833. Com o fim da guerra civil passou ao quadro geral dos oficiais desempregados.

Com a extinção do comando militar dos Açores (5 de Março de 1836) e a nomeação de governadores militares por ilha foi nomeado, por decreto de 20 de Junho de 1836, governador militar da ilha de S. Miguel. Quando aí estava deu-se a revolução de Setembro, tendo então o governador, no meio da maior exaltação dos partidos políticos, conservado a tranquilidade pública e feito, depois de ordens régias específicas, proclamar a Constituição de 1822. Não sendo porém da confiança dos novos poderes instituídos foi demitido do governo da ilha por decreto de 14 de Setembro de 1836 e regressado a Lisboa foi reformado e acusado de apoiar a revolta dos marechais (1837). Em 1843 dado por incapaz para o serviço. Em 1845, com a aplicação da lei de 24 de Abril de 1845, foi-lhe melhorada a reforma no posto de coronel, sendo adido à companhia de veteranos de Belém. J. G. Reis Leite

Fonte. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), cx. 488.