Rego, Luís Guilherme de Medeiros Vaz do
[N. Ponta Delgada, 14.11.1926 m. Ponta Delgada, 8.10.1984] Filho de José Tavares Neto Vaz do Rego e de Maria Augusta de Medeiros e Câmara Vaz do Rego. Fez os seus estudos primários e liceais em Ponta Delgada. Licenciou-se em Agronomia, em 1952, no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, defendendo no ano seguinte uma tese com o tema: O interesse económico e social da transformação das matas em pastagens. Exerceu o cargo de engenheiro agrónomo contratado pela Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada, dedicando-se essencialmente ao melhoramento das culturas forraginosas. Para continuar a trabalhar esta especialidade e como bolseiro do British Council, estagiou no ano de 1958 no Grassland Research Institute, tendo visitado outros centros da especialidade por toda a Inglaterra, Gales e Escócia. Seguidamente foi-lhe autorizado pelo Grassland Institute uma viagem de estudo a centros idênticos na França, Bélgica, Holanda e Espanha. Em 1959 ingressou no quadro técnico da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas (D. G. S. A.). Desde este ano que passou a participar em vários congressos internacionais de culturas forraginosas, com várias comunicações, sendo a de 1960: Studies of impruve Herbage Varieties in Azores, a primeira comunicação apresentada a um congresso internacional sobre os problemas forrageiros nos Açores. Em 1963 realizou uma viagem à França, Suíça, Alemanha e Inglaterra, relacionada com a desidratação de forragens, cujo relatório serviu de base à instalação desta indústria em S. Miguel. Neste mesmo ano participou na IIª Semana de Estudos dos Açores com a comunicação: Perspectivas de Planificação Agrária. Em 1965 apresenta a comunicação: Comparação dos Rendimentos dum prado exclusivamente de gramíneas recebendo adubações azotadas e uma mistura de gramíneas leguminosas sem fertilização azotada, no IX Congresso Internacional de Pastagens, realizado no Brasil. Continuou por toda a década de setenta os seus estudos sobre forragens, participando em vários colóquios nacionais e internacionais e colaborando em diversas revistas e jornais agrícolas, fundando mesmo o Boletim de Informação Agrícola e Informação Rural assim como o programa de rádio Voz da Terra. Foi membro do British Grassland Society e da Internacional Society of Soil Cience, bem como sócio da Sociedade Portuguesa de Ciências Agrárias e Sociedade Luso-Espanhola de Forragens. Em 1965 foi nomeado Delegado para os Açores da Federação Europeia de Forragens. De 1969 a 1978 foi delegado da Administração Geral do Álcool e do Açúcar e em 1970 foi nomeado Adjunto do Delegado em S. Miguel do Instituto Nacional das Frutas. Em 1978/1979 foi Director dos Serviços Agrícolas de S. Miguel. Participou em algumas reuniões no âmbito da integração da agricultura açoriana na Comunidade Económica Europeia. Na última etapa da sua vida profissional iniciou a introdução de uma nova cultura em S. Miguel a Marigold, de colaboração com a Hoechst Portuguesa. Uma segunda faceta da sua vida foi a política, iniciada como vereador na Câmara Municipal de Ponta Delgada (1958/1963). Desde esta altura pugnou sempre pelo interesse dos Açores, sendo um grande defensor da Autonomia Açoriana, ideais que já vinham detrás, da sua convivência com seu bisavô Luís de Bettencourt, um dos paladinos do segundo movimento autonómico. Todavia foi como presidente da Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada, (1971/1974) que mais lutou contra o desprezo do governo central, como atestam numerosos discursos, ficando célebre as suas frases de invulgar vigor, traduzindo um veemente protesto, perante o Ministro do Interior, numa sua visita à ilha de S. Miguel. Na Junta Geral foram muitas as obras que meteu a ombro sendo de destacar a libertação dos encargos financeiros com a Educação da Junta Geral, Estádio Distrital, Pavilhão Gimno-Despotivo, Lares para Estudantes, Auditorium de Ponta Delgada, criação da Escola Normal Superior, embrião da actual Universidade dos Açores, importante rede de estradas, plano turístico, recuperação dos terrenos erosionados em Santa Maria, sendo durante a sua presidência que foi experimentado o primeiro poço geotérmico. Foi o último presidente da Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada. Posteriormente teve função primacial no partido CDS, como seu dirigente nos Açores e como vogal na Assembleia Municipal de Ponta Delgada. Toda a sua actuação política foi de uma grande açorianidade, seguindo sempre a linha de rumo que traçara já muito antes da democratização do país. Demitiu-se da presidência do CDS/A em 1983, por razões de cansaço e pela falta de apoios locais e nacionais. Margarida Vaz do Rego
Fontes: Arquivo pessoal do Eng. Luís Vaz do Rego, Arquivo da Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada, Vários Jornais Micaelenses e Açorianos entre 1960 a 1984.
