rede-de-emalhar
Arte de pesca que também é conhecida por rede-de-bater (Lopes, 1948) e rede-de-malhar (Coelho, 1962). Este último nome está relacionado com o batimento que os pescadores fazem na água durante a operação de pesca para que o peixe, ao fugir, fique emalhado na rede.
De acordo com Fernandes (1984) e Lopes (1948), é rectangular, plana, com cerca de 45 braças de comprido por 4 de altura, duma só malha, com a parte superior entralhada num cabo com rodelas de cortiça e a parte inferior corrida de chumbada. A maioria destas redes é feita com 1 pano, mas há algumas feitas com 3 panos, os exteriores de malha mais larga e o interior com malha mais apertada, todos entralhados no mesmo cabo, às quais também se dá o nome de «tresmalhos». Têm dimensões que variam entre 9 e 90 braças, no comprimento, e entre 1 e 7 braças, na altura. As malhagens variam entre 50 e 95 mm. Toda a rede é tinta de «cor do Carmo», para que o peixe, perseguido, se deixe emalhar com mais facilidade.
A pesca com estas redes é feita perto da costa, a pouca profundidade ou no fundo, e à rede estão amarradas duas poitas ou «pandulhos» de pedra e uma bóia em cada cabeceira, ou à superfície, levando ou uma bóia se for amarrada ao barco ou uma bóia e uma poita em cada cabeceira se ficar a pescar por si. Por meio de 2 cabos, que vão de tralha a tralha nas cabresteiras da rede, apoiam-se as poitas que são seguradas enquanto é feito o lanço. A rede fica estendida verticalmente na água.
Segundo Lopes (1948), os pescadores da ilha Terceira para efectuarem o lanço procedem do modo seguinte: a embarcação aproxima-se da costa o mais que pode e aí apoia uma das cabresteiras da rede, afastando-se em seguida para o mar até deitar fora cerca de 10 braças de rede. Dá uma rotação curta, cerca de 110º, a fazer um engano chamado «talão», virando a seguir de 90º sobre o outro bordo, para lançar o resto da rede em rumo paralelo à linha da costa. Fundeada a outra poita, a embarcação mete-se entre a rede e a terra, começando os pescadores a bater com os remos na água e a atirar pedras ao peixe que, para fugir, procura sair do engano em que se prendeu. Quando há muita abundância de peixe, muitos emalham também nos lados da rede, embora a maior parte caia no «talão».
Para suspender a rede, começam os pescadores por colher a primeira poita que fundearam, isto é, a que ficou mais próxima de terra, desemalhando o peixe à medida que ele chega à borda. O peixe tomado no último lanço é, em geral, desemalhado já em viagem.
Quando as circunstâncias favorecem, esta rede é posta a «amajoar» [ver amaijoo], ficando no mar por uma noite. O lanço faz-se então sem engano ou «talão», aproveitando uma ponta de terra, mas mais geralmente uma enseada, que se saiba servir de passagem habitual do peixe.
O levantar da rede é feito, em geral, de terra para o mar; quando, porém, há rebentação ou muita ressaca, procede-se inversamente, tomando-se a rede com a embarcação sob poita que se fundeou ao largo, de modo a suspendê-la com mais segurança.
Para Fernandes (1984), esta arte de pesca é usada na captura de veja, bicuda, serra, budião, tainha, sargo, salema embora também fiquem emalhados quaisquer outras espécies de peixes bem como de crustáceos que tenham tamanho adequado. Luís M. Arruda
Bibl. Coelho, M. A.(1962), «Vocabulário Regional das Ilhas do Faial e Pico». Boletim do Núcleo Cultural da Horta, vol. 3, n.º 1: 55-139. Fernandes, L. M. R. (1984), Artes de pesca artesanal nos Açores. Horta, Secretaria Regional de Agricultura e Pescas. Lopes, F. (1948), A pesca na ilha Terceira. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 6: 61-101.
