rede-de-chicharro
Também conhecida por rede-da-borda (Fernandes, 1984), como o nome indica, é uma arte de pesca usada de noite na captura do chicharro mas que também é usada para a faina da sardinha (Fernandes, 1984; Silva, 1903).
Para Fernandes (1984), trata-se de uma rede rectangular com malha de 10 a 15 mm de vazio. As suas dimensões variam entre 8 e 15 m de comprimento e 5 e 11 m de largura. Silva (1903) indica como dimensões: 9 a 10 m de comprimento por 8 de largura, malha de 12,5 mm de lado e fio de 2 mm de diâmetro. Nas tralhas laterais há de 12 a 14 linhas, denominadas «aranhas»; na tralha que fica junto à borda há 3 linhas, chamadas «talões», e 3 chumbadas grandes; e a tralha oposta ao lado da borda é amarrada a uma vara, intencionalmente arqueada, a «vara da rede».
Segundo Fernandes (1984) e Silva (1903), para que esta rede seja armada, os pescadores lançam, no sentido transversal do barco, apoiadas na borda, à proa e à ré, duas ou três varas de madeira, de 5 a 6 m de comprimento, com uma roldana na extremidade. Por cada uma destas roldanas passa um linha, as denominadas «aranhas de fora» que amarram à «vara da rede», e com as quais ela é ou içada ou baixada. Puxando as «aranhas de fora» até que a «vara» toque as roldanas, a rede sai transversalmente ao barco. Arreadas, convenientemente, as «aranhas de fora» e os «talões», a rede pode ser mantida 3 ou 4 braças abaixo do nível da água.
O peixe é atraído com engodo e com a luz de candeeiros. Quando há peixe em quantidade suficiente, a rede é içada formando um saco onde o peixe é retido e de onde é transferido para o barco com camaroeiros pequenos. Luís M. Arruda
Bibl. Fernandes, L. M. R. (1984), Artes de pesca artesanal nos Açores. Horta, Secretaria Regional de Agricultura e Pescas. Silva, A. (1903), Ethnographia açoriana, a alfaia marítima de S. Miguel. Portugália, Porto, 1, 4: 835-846.
