Rebello, Francisco Peixoto de Lacerda Costa

[N. Horta, 26.11.1814 – m. Madalena, ilha do Pico, 27.1.1903] À morte era o decano dos jornalistas portugueses. No dia em que fez quinze anos de idade sentou praça, como cadete, no Corpo de Artilharia da Guarnição do Faial, e aí serviu até 24 de Junho de 1831. Liberal convicto, tomou parte activa nas lutas entre D. Pedro e D. Miguel, quando se juntou à expedição liberal de D. Pedro ao tempo desembarcada nesta ilha, passando a servir em Caçadores n.º 2. Foi condecorado pelos serviços prestados.

Um ano depois deixou a carreira das armas, regressou de Angra do Heroísmo à Horta, e dedicou-se ao curso de Filosofia, que completou. Durante quatro anos, foi director da fiscalização do contrato do tabaco no distrito da Horta, por nomeação das Caixas Gerais do mesmo contrato. Então dedicou-se à advocacia e exerceu por longo período essa actividade e algumas vezes, foi nomeado, interinamente, Delegado do Procurador Régio. Por último foi empregado na Repartição de Fazenda da Horta, onde passou à reforma.

Começou a trabalhar na imprensa quando, em 1936, estava em Ponta Delgada e foi fundado o Açoriano Oriental. Amigo de Manuel António de Vasconcelos, com ele colaborou naquele jornal e com ele ajudou a compor o primeiro número que saiu a lume da publicidade naquele ano (Lima, 1922: 409; Loureiro, 1903). Depois, espalhou os seus artigos por quase todos os jornais do arquipélago. Na Horta fez parte das redacções de vários periódicos, especialmente de O Atlântico, colaborando, activamente, ao lado de Manuel Francisco Medeiros, José Maria da Rosa, Ernesto Rebelo, Manuel da Silva Greaves, Urbano Prodêncio da Silva e de outros.

Quando da sua morte, o jornal O Telégrafo (1903) publicou: «Nas lides do jornalismo local representava o papel primordial dos fecundos e talentosos, honrando o bonito grupo de intelectuais faialenses dessa época. A esse tempo Costa Rebelo achava-se numa simpática maturidade de espírito, que lhes permitia a expansão dos seus bons pensamentos em todo o jornalismo açorense».

Era membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Dantesca de Nápoles e de diversas sociedades literárias açorianas.

Era pai de Ernesto de Lacerda de Lavallière *Rebello. Luís M. Arruda

Bibl. J. C. (1955), Autores faialenses, Costa Rebelo. O Telégrafo, Horta, n.º 16.654, 12 de Junho. Lima, M. (1922), Famílias faialenses: subsídios para a história da ilha do Faial. Horta, Tip. Minerva Insulana. Loureiro, A. (1903), Costa Rebello. O Telegrapho, Horta, n.º 2767, 25 de Fevereiro [transcrito de Heraldo, Ponta Delgada]. Rebello, C. (1903), Traços auto-biographicos – apontamentos. A Voz, Madalena, ano V, n.º 3, 1 de Fevereiro [número de homenagem]. O Telégrapho (1903), Horta, n.º 2.746, 28 de Janeiro [Costa Rebello].