Read, William Harding

[N. Portsmouth, Inglaterra, 24.8.1774 – m. [S. José], Ponta Delgada, 6.5.1839] Filho de William Read (c. 1730) e Mary Elisabeth Price (c. 1730), era também conhecido por Guilherme Harding Read.

Casou, em primeiras núpcias, com Mary Kenyon (c. 1770), sem geração, e, em segundas núpcias, com Luisa Mitchell Meredith (c. 1780), viúva de seu irmão John, que morreu, em 1828, a bordo do navio que o trazia para S. Miguel para assumir o cargo de vice-cônsul britânico, em S. Miguel.

Deste casamento nasceu apenas um filho, Eugénio de Vila Flor de Sá Sartorius Harding Read (19.7.1832), que recebeu esses nomes em homenagem ao conde de Vila Flor, ao futuro marquês de Sá da Bandeira e ao almirante Sartorius – liberais ao serviço de D. Pedro IV, que estiveram em S. Miguel antes do desembarque no Mindelo.

Como oficial da Royal Navy, participou na batalha de Trafalgar. Reza a tradição de que, enquanto oficial da marinha inglesa, participou no apresamento de uma galeota espanhola repleta de ouro, tendo-lhe cabido de presa o equivalente a 40.500$000 rs. insulanos.

Tomou posse do cargo de cônsul-geral dos Açores, segundo patente de 16 de Março de 1811, auferindo mil libras por ano, mercê «de suas costumadas intrigas» contra Guilherme Brander, o cônsul britânico então em exercício, conforme a acusação expressa na representação dos comerciantes britânicos residentes em S. Miguel – André Adam, John Nesbitt, Diogo Cockburn, Simão Keir, Guilherme Brander Júnior, Diogo Grant Christie – datada de 30 de Julho de 1810.

Ao longo da segunda década de oitocentos, interveio activamente junto das autoridades locais a fim de consentirem no aumento das quantidades exportadas de cereais e gado, quer para o arquipélago da Madeira, quer para o reino com vista ao abastecimento do exército britânico em luta contra o domínio napoleónico.

Recebeu o louvor do governo português pela planta da ilha que terminou em 1805 e, após alguns contratempos durante a governação miguelista, o governo liberal concedeu-lhe a mercê de cavaleiro da Torre e Espada (10 de Dezembro de 1832). Se durante o governo absolutista salvou alguns liberais, já durante o governo liberal salvou do linchamento popular o antigo capitão-geral dos Açores, o miguelista Sousa Prego, e o seu ajudante.

No período entre 1800 e 1829, foi um dos maiores exportadores micaelenses, tendo sido responsável pela exportação de mais de 150 mil caixas de laranja para o Reino Unido. Com os lucros desta especulação, construiu uma mansão na actual rua Luís Soares de Sousa, na cidade, e uma quinta senhorial – a quinta da «Bela Vista», na Abelheira, arredores da cidade. Nesta quinta, escondeu o futuro marquês Sá da Bandeira e o irmão, entre Junho e Agosto de 1829, e recebeu D. Pedro IV e a sua comitiva, em 1832.

Homem de bem, foi providencial para a sua família. Acolheu as suas duas irmãs solteiras, recebeu uma sobrinha órfã e casou com a viúva de seu irmão, criando os seus três filhos. Sá da Bandeira descreveu-o como bondoso, delicado e amável e como proprietário de uma biblioteca com livros excelentes e de um soberbo jardim. Fátima Sequeira Dias

Fonte. Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, Capitania Geral dos Açores, Ilha de S. Miguel, Correspondência, 1811-1815, maço 2.

 

Bibl. Costa, R. M. M. (2005), Os Açores em finais do regime de capitania-geral. Horta, Núcleo Cultural da Horta: 193-194. Mello-Manoel, J. F. (2003), Read, William Harding e Mary Benedict, In Apontamentos genealógicos (não publicado). Motta, A. A. R. (1957), Uma família Inglesa: os Reads. Insulana, XII. Sá da Bandeira (1976), Diário da Guerra Civil. Recolha, notas e posfácio de José Tengarrinha, Lisboa, Colecção Seara Nova, II.

Site: GENEAPortugal / Guilherme (William) Harding Read, esq. http://genealogia.netopia.pt/pessoas/pes_show.phd?id=23946