Raivoso, Manuel de Sousa Rebelo de Vasconcelos

[N. Fafe, ca. 7182 – m. Lisboa, 21.8.1849] Assentou praça como cadete, em 1797 e foi sucessivamente promovido a tenente, em 1809; capitão, em 1813 para o Regimento de Cavalaria 3 (Elvas); major, em 1816; tenente-coronel, em 1827; coronel, graduado em 1832 e efectivo em 1833; brigadeiro, em 1838. Reformado como marechal de campo a 6 de Abril de 1838.

Fez as campanhas da Guerra Peninsular (1809 a 1814) estando presente nas batalhas de Vitória e Pirinéus pelo que recebeu a Cruz n.º 2 da Guerra Peninsular por três anos de campanha. Liberal e membro da Maçonaria. Foi preso depois da Vilafrancada (1823). Foi eleito deputado às Cortes de 1826, pelo Alentejo e emigrou em 1828 para Inglaterra e daí seguiu para os Açores desembarcando em Angra a 2 de Dezembro de 1828 com o general *Cabreira em apoio aos liberais revoltados de Caçadores 5. Participou no recontro do *Pico do Celeiro mas teve comportamento pouco digno na perseguição das milícias absolutistas já desarmadas acusando-o o insuspeito Drumond de ter assassinado um civil indefeso. Recusou a nomeação que lhe ofereceu o general Cabreira para a Secretaria da Guerra, criada pela Junta Governativa em 5 de Outubro de 1828, lugar que foi entregue então a Teotónio de Ornelas Bruges. Raivoso foi nomeado membro da Comissão criada pela Regência para substituir a Junta da Fazenda, em 1830 e 1831, escolhido para a delegação que da Terceira foi enviada a França a cumprimentar D. Pedro no seu regresso à Europa. Com a chegada de D. Pedro à Terceira foi em 7 de Março de 1831 nomeado para a Junta Consultiva criada pelo regente para substituir o Conselho de Estado previsto na Carta Constitucional.

Ao contrário do que dizem alguns dos seus biógrafos não acompanhou o Exército Libertador no desembarque do Mindelo, por ter recebido ordem expressa do regente para permanecer na ilha Terceira para a defesa da retaguarda integrado na guarnição da ilha e às ordens do general governador militar da província dos Açores, como consta da ordem de 21 de Junho de 1832. Foi nomeado chefe do Estado-Maior. Só abandonou Angra para se apresentar no Porto em Março de 1833. Acabada a guerra civil foi nomeado governador da praça de Abrantes (1834-1838) e aí permaneceu até ter sido eleito deputado às Cortes de 1834-1836 pelo círculo da Beira Baixa e depois para a Constituinte de 1836 pelo círculo de Tomar e por fim senador por Guimarães em 1838 e em 1840. Como político oscilou entre a oposição e o apoio à direita liberal. Ocupou ainda o lugar de governador civil de Santarém (1838-1839). J. G. Reis Leite

Fontes. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), cx. 175 e 526.

 

Bibl. Drumond, F. F. (1982), Anais da ilha Terceira. 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, IV: 147, 172, 174, 262, 282, 306. Mónica, M. F. (coord). (2006), Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). Lisboa, Assembleia da República, III: 412-413.