Rádio Club de Angra

Na sequência de algumas experiências realizadas por amadores, entre os quais Belmiro da Silva Rocha e Fausto Rodrigues Cristóvão, nasceu a ideia de se criar um posto emissor na ilha Terceira. Deste modo, se fundou em 1946, a Sociedade de Amadores de Telegrafia Sem Fios, que acabou por receber apoio do governador civil de então, Cândido Pamplona *Forjaz, e da Junta Geral do Distrito de Angra. Conseguida alguma verba para a aquisição dos primeiros aparelhos necessários, o Rádio Club de Angra instalou-se, por arrendamento, no edifício da Cozinha Económica. A 30 de Julho de 1949 teve início a emissão experimental. As poucas horas de emissão inicial, que se limitavam a duas vezes por semana, foram aumentando até à emissão diária (1951), que se foram ampliando pelos períodos da manhã (1959), tarde (1962) e noite. Durante muitos anos, o Rádio Club funcionou com a potência de 1 kw, o que não permitia uma boa audição em algumas zonas da ilha, embora fosse captado noutras ilhas do arquipélago. Vivendo da publicidade e das cotizações dos sócios, que em 1965 já atingiam os dois mil, a emissora conseguia viver desafogadamente e modernizar a sua tecnologia graças ao apoio das forças americanas estacionadas nas Lajes que lhe ofereciam material da sua estação local. Rapidamente A Voz da Terceira tornou-se um pólo fundamental de actividades culturais, na medida em que no seu salão de festas se realizavam variados espectáculos para serem radiodifundidos. Para além da música regional, palestras, teatro radiofónico, desporto e serviço noticioso, a emissora cobria os mais importantes acontecimentos locais, contribuindo para a criação de um espírito regionalista, como acontecia com as outras emissoras. A sua expansão pelo arquipélago foi ganhando terreno, com destaque para o programa Bingo do Natal, com a atribuição de valiosos prémios. Paralelamente, abriu as suas portas à juventude, com a criação de vários programas elaborados pelos mais novos. Com a destruição da sua sede, por altura do sismo de 1980, o Rádio Club trabalhou alguns anos em deficientes condições, até à inauguração de um novo edifício, no final dos anos 80. Pelo serviço prestado à comunidade, foi considerado Instituição de Utilidade Pública e membro honorário da Ordem de Benemerência, título concedido pelo Chefe do Estado, em 1973. Carlos Enes

Bibl. Corvelo, F. (1997), Bodas d’ouro do Rádio Club d’Angra, Diário Insular, Angra do Heroísmo, 16 de Abril. Merelim, P. (s.d.), Rádio Club de Angra (A Voz da Terceira) – Esboço cronológico, 1947/72. Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense.