rádio

Na imprensa dos anos 20, começaram a surgir os primeiros anúncios da venda de aparelhos de rádio, cujas marcas se foram diversificando. Aquela década marcou o início da existência dos mesmos na região e a captação de emissões de rádio estrangeiras, que utilizavam a estratégia de emitir programas sobre vários países. Em 1928, por exemplo, uma estação holandesa ligada à Philips, dedicou uma emissão a Portugal, em que os Açores estiveram incluídos e se fizeram ouvir as vozes de João Soares Júnior e João de Matos Couto, ambos falando de S. Miguel. Embora circunscrita a uma elite com algumas posses económicas, o entusiasmo pela rádio foi crescendo, por influência dos comerciantes que proporcionavam audições públicas para captar clientela. No mesmo ano, também começou a ser ouvida a estação de Monsanto, numa fase experimental, mas que alargou o leque de adeptos. Paralelamente, surgiram amadores que tentaram as suas primeiras experiências com a montagem de postos emissores locais. Jacinto Pedro Ribeiro poderá ser considerado o pai da rádio açoriana, na medida em que montou o primeiro posto emissor, em Julho de 1928, em Ponta Delgada. Outras experiências idênticas se seguiram na mesma cidade por iniciativa de João Soares Júnior, José Manuel Gomes, Henrique Pereira da Costa, Francisco Noronha Moniz e Manuel António de Vasconcelos Júnior. Para as outras ilhas são conhecidas experiências feitas nos anos 30, por Fernando Bettencourt, em Angra, Max Corsepius, na Horta e a existência de um posto experimental na Calheta, S. Jorge. De todas elas, só duas conseguiram sobreviver algum tempo: o posto CT2AJ, de Soares Júnior, e o CT2 AV de Henrique Costa. Ao longo da década de 30, estes dois postos emissores concorriam entre si, com emissões irregulares e muito curtas, com duas emissões semanais passando depois a diárias. De qualquer modo, vocacionaram-se para a prestação de um serviço público, com palestras, teatro radiofónico, transmissões das festas do Senhor Santo Cristo, previsão do tempo, entrevistas, etc.. Em 1938, acabaram por encerrar devido a dificuldades impostas às rádios particulares. Poucos anos depois, foi montado em S. Miguel, o *Emissor Regional dos Açores da Emissora Nacional, a 28 de Maio de 1941. Com o apoio estatal, esta estação manteve o monopólio até ao aparecimento do *Asas do Atlântico, fundado em Santa Maria, em 1947; a Rádio Lajes ou Voz da Força Aérea Portuguesa, iniciada no mesmo ano na ilha Terceira, com o objectivo de servir os militares portugueses e concorrer com uma estação idêntica criada pelos militares americanos, e, finalmente, o *Rádio Clube de Angra, inaugurado em 1949. O panorama radiofónico só veio a alterar-se a partir dos anos 80 com a legislação que permitiu a instalação de rádios locais. Deste modo, surgiram a Rádio Nova Cidade, na Ribeira Grande (1986); a Rádio Atlântida e Rádio Baya, Ponta Delgada; Rádio Horizonte, Terceira (1987); Rádio Clube de Lajes do Pico – A Voz da Montanha (1987); A Rádio Cais, em S. Roque; a Rádio Pico, na Madalena; Rádio Antena 9, no Faial; Rádio Graciosa; Rádio Lumena, S. Jorge; e Ecos das Flores, Santa Cruz. Algumas delas acabaram por encerrar, dado que a programação própria era escassa, bem como o tempo de emissão, que não fixava os ouvintes. A alternativa passou por entrarem em cadeia com rádios nacionais. Carlos Enes

Bibl. Andrade, J. (2003), “Aqui Portugal” – os primeiros anos da telefonia nos Açores. Ponta Delgada, edição do autor. Jornal de Angra (1934), Angra do Heroísmo, 24 de Outubro. Ibid. (1935), Angra do Heroísmo, 10 e 24 de Abril e 23 de Novembro. Merelim, P. (s.d.), Rádio Club de Angra (A Voz da Terceira) – Esboço cronológico, 1947/72. Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense. Rádio Lajes assinala 50º aniversário (1997), A União, Angra do Heroísmo, 31 de Março. Pátria (A) (1933), Angra do Heroísmo, 10 de Dezembro. Ibid (1934) Angra do Heroísmo, 15 de Fevereiro e segs. e 24 de Fevereiro. Ibid. (1937), Angra do Heroísmo, 23 de Janeiro. Portugal, Madeira e Açores (1932), Lisboa, 8 de Junho. Ibid (1935), Lisboa, 23 de Janeiro e 23 de Fevereiro. Rei Bori (1987), Rádio Lajes, Revista Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, n.º 89, Abril: 8-9. União (A) (1938), Angra do Heroísmo, 3 e 4 de Fevereiro. Ibid. (1938), Angra do Heroísmo, 19 de Fevereiro e segs..