queiró

Nome pela qual são conhecidas as plantas da família das Ericáceas (Dicotiledóneas) pertencentes às espécies Daboecia azorica e Calluna vulgaris, estas também conhecidas por queiroga, rapa (Costa, 1947: 91; Palhinha, 1966; Sampaio, 1904: 63) e carrasca (Schäfer, 2002). Os exemplares de C. vulgaris quando muito jovens são conhecidas por *leiva (Palhinha, 1966).

 

História natural: D. azorica, segundo Schäfer (2002) e Sjögren (2001), é arbusto perene, anão, raramente com mais de 15 cm de altura; ramos procumbentes a ascendentes, rebentos florescentes erectos; folhas elípticas, verde escuro, com até 8 x 3 mm; flores em rácimos terminais, de pétalas cor-de-rosa a púrpura ou brancas, glabras, congénitas, formando uma corola campanulada, com até 8 mm de comprimento; fruto em cápsula seca. Perene. Floração de Abril a Junho.

Endémica dos Açores para onde foi registada por Seubert e Hochstetter (1843), ocorre nas ilhas de S. Miguel, da Terceira, de S. Jorge, do Pico, do Faial e das Flores, geralmente acima dos 500 m, na montanha do Pico até aos 2.200 m, ocasionalmente a partir dos 100 m de altitude (Palhinha, 1966; Schäfer, 2002; Sjögren, 2001).

Muito tolerante à secura prefere habitats fortemente expostos. Aparece em prados naturais densos, dispersa na cobertura esparsa que cobre os depósitos de inertes e nas partes salientes e secas das correntes de lava. Pode-se tornar dominante na vegetação empobrecida de Erica-Myrsine acima dos 1.400 m no Pico. A D. azorica é uma colonizadora frequente dos habitats secos, a grande altitude, de prados semi-naturais (Sjögren, 2001).

C. vulgaris, segundo Schäfer (2002) e Sjögren (2001), é arbusto sempre verde, com caule muito ramificado até 1 m de altura, raramente mais de 40 cm; folhas pequenas, mais ou menos triangulares, opostas, amplexicaule; flores em racimos terminais; cálice petalóide, rosado; pétalas rosadas, frequentemente brancas, conato, formando uma corola campanulada; fruto em cápsula, seca. Perene. Floração de Julho a Outubro.

Nativa da Macaronésia, Europa, noroeste de África e América do Norte (Schäfer, 2002), ocorre em todas as ilhas do arquipélago açoriano para onde foi registada por Seubert e Hochstetter (1843), é comum em declives secos e mantos de lava recentes, até 2.300 m de altitude.

 

Medicina tradicional: Segundo Corsépius (1997), às folhas e flores frescas de C. vulgaris são reconhecidas propriedades diuréticas e anti-inflamatórias (reumatismo, cálculos renais e da vesícula, inflamações da bexiga e dos intestinos). Para utilização interna, 30 gr./l de água em infusão durante 3 minutos. Luís M. Arruda

Bibl. Corsépius, Y. (1997), Algumas Plantas Medicinais dos Açores. 2.ª ed., S.l., s.e.. Costa, C. (1947), Terminologia agrícola michaelense. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 6: 91-98. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Seubert, M. e Hochstetter, C. (1843), Übericht der Flora der azorischen Inseln. Archiv der Naturgeschichte, Berlim, 9, 1: 1-24. Sjögren, E. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.