Quatro Ribeiras (freguesia)
Geografia Freguesia do concelho da Praia da Vitória, situada na costa norte da ilha Terceira. É limitada a este pela freguesia da Agualva, a sul pela freguesia de Porto Judeu (concelho de Angra do Heroísmo), a oeste pela freguesia dos Biscoitos e a Norte pelo Oceano Atlântico. Apresenta uma forma em cunha, com cerca de 12,8 Km2, o que corresponde a 8,0 % da superfície concelhia, distando 18 Km da sua sede, aproximadamente.
A freguesia tem uma topografia diferenciada, com duas áreas distintas que estão separadas pela Serra do Labeça. A sul apresenta as cotas mais altas e uma geomorfologia complexa com diversos cones de topo aplanado. O território é modelado pela erupção vulcânica do Pico Alto. A parte norte é acidentada com declives acentuados de direcção sul-norte (Figura 1). A altitude máxima (791 m) é registada num ponto cotado no Pico Alto, este da freguesia. A rede hidrográfica é densa, principalmente a norte, com linhas de água bem definidas que correm em vales bastante profundos, onde se destacam as Ribeiras do Urzal, da Fonte do Almeida e Seca, algumas com caudal permanente e com diversas cascatas, onde existiam azenhas, entretanto abandonadas. A linha de costa, com cerca de 9,3 Km, apresenta-se baixa e recortada, dispondo de acessos ao mar nas baías das Quatro Ribeiras e do Portal da Cruz, enseadas intercaladas pelas pontas da Furna, das Quatro Ribeiras e do Mistério.
Relativamente à conservação da natureza, esta freguesia está abrangida pela Rede Natura 2000 Sítios de Interesse Comunitário (SIC) da Serra de Santa Bárbara e Pico Alto e da Costa das Quatro Ribeiras. Em termos paisagísticos, destaca-se o Miradouro da Canada do Sousa.
Quanto à ocupação humana, o povoamento é disperso ao longo das estradas e paralelamente ao mar, com maior concentração no núcleo urbano das Quatro Ribeiras. A agricultura, a pecuária, a construção civil e a carpintaria constituem as principais actividades económicas locais. Apesar de ter sido um dos primeiros povoados desta ilha, presentemente reúne um quantitativo populacional pouco significativo (Figura 2). Teve um crescimento positivo durante a primeira metade do século passado, atingindo o valor máximo em 1960, ano a partir da qual começou a regredir. No XIV Recenseamento Geral da População de 2001 (INE, 2002) foram registados 423 habitantes, o que corresponde a uma densidade populacional de 33 hab/Km2. João Mora Porteiro
História, Actividades Económicas e Culturais Freguesia rural do concelho da Praia da Vitória, ilha Terceira. Fica situada na costa Norte da ilha, entre as freguesias dos *Biscoitos e *Agualva. Os dados existentes sobre as origens desta freguesia reflectem as dúvidas sobre o início do povoamento da ilha Terceira. A ser verdadeira a inscrição que existiu na igreja local, com a data de 1455-1460, esta indicaria o início do povoamento por esta parte da ilha. Esse feito teria pertencido a Fernão Dulmo, de origem flamenga, que teria inclusivamente ali assumido as funções de capitão, antes de a ilha ser dividida em duas capitanias. Por esse facto, manteve conflitos com os capitães da Praia, ainda pendentes no ano de 1487. Fernão Dulmo teria sido, assim, um dos primeiros povoadores da ilha, mas rapidamente teria abandonado o projecto, saindo para o Reino na companhia dos seus homens. De acordo com a tradição veiculada por Gaspar Fructuoso, a igreja de Santa Beatriz, em homenagem à infanta, teria sido a primeira da ilha. O facto, é que em 1482, a zona já era povoada e já ali existia a referida igreja. Desconhece-se a data da sua constituição como freguesia independente, embora já o fosse em 1586. A agricultura e, mais recentemente a pecuária, constituiu a base da economia da freguesia. No início do século XX o seu comércio consistia na venda de lenha de pinho e cereais. Os terrenos da beira-mar, transformados hoje em pastagem, produziram no passado pastel e cereais; as zonas de biscoito serviram para o cultivo da vinha, mas uma boa parte do seu solo esteve coberto de matos. As vias de acesso praticamente inexistentes às zonas altas do interior, onde abundavam terrenos baldios e pastagens, influenciaram de forma negativa o desenvolvimento económico, transformando-a numa das freguesias mais pobres da ilha. Só no final do século XX, se abriram as vias de penetração o que permitiu o crescimento da pecuária. Desde os tempos mais recuados construíram-se moinhos numa das suas ribeiras, que davam emprego a algumas famílias. Os residentes ligados ao sector terciário cresceram de forma significativa, após a abertura da Base Americana das Lajes. A evolução da população reflecte o seu fraco desenvolvimento. Ocupando uma área de 13 km2, a população nunca alcançou os mil habitantes. Os 670 habitantes, existentes em 1890, mantiveram-se sem grandes alterações até 1940, quando atingiram os 736 habitantes. Um crescimento significativo registou-se nas duas décadas seguintes, aproximando-se dos mil, em 1960, para voltar a declinar a partir de então: em 1991, a população quedava-se pelos 467 habitantes. Algumas infra-estruturas básicas chegaram tardiamente a esta freguesia: a electricidade em 1978 e só depois foi instalada a rede de água canalizada. A escola do sexo masculino já existia em 1866, e a do sexo feminino foi criada em 1899. Todavia, o edifício do plano dos centenários só foi construído em 1972. No final do século XX, foi inaugurada uma infra-estrutura balnear aproveitando as condições naturais da costa. A freguesia possui Casa do Povo (1976) e Sociedade Recreativa (1975). Carlos Enes
Bibl. Drumond, F. F. (1990), Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos para a História das nove ilhas dos Açores servindo de suplemento aos Anais da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira: 283-287. Instituto Nacional de Estatística (2002), XIV Recenseamento Geral da População. Lisboa, Instituto Nacional de Estatística. Merelim, P. (1983), Freguesias da Praia. Angra do Heroísmo, Direcção Regional de Orientação Pedagógica da Secretaria de Educação e Cultura: 663-694. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal: 298-299.
