Protesto (O)

Publicação bi-semanal, editada em Ponta Delgada, como órgão e propriedade do Centro Socialista Antero de Quental. Foi seu editor António da Costa Faria e director Manuel Augusto César. O jornal adoptou como lema não atacar pessoas, mas demonstrar erros e apontá-los à execração pública. Para além de artigos de carácter doutrinário, em que colaboravam Consiglieri Sá Pereira, residente em Lisboa, e outros com pseudónimo, e da transcrição do programa do *Partido Socialista, o jornal defendeu os princípios da autonomia regional, mas dedicou numa boa parte das suas páginas a atacar a gestão dos organismos locais, com algum sucesso. Na generalidade, a imprensa burguesa não dava réplica à imprensa operária ou mais próxima dos trabalhadores; todavia, em relação a este jornal, houve uma preocupação frequente em defender-se dos ataques perpetrados. O jornal conseguiu assim evitar a marginalização. Pelo conteúdo dos seus artigos, cuja censura é notória nos espaços em branco, o problema das subsistências e os açambarcamentos eram alvo de denúncias, num momento de grave crise para os mais pobres. Nas eleições de 1918, defendeu os candidatos do partido, embora com pouco sucesso. O jornal apresenta alguma poesia assinada por José Rocha, Oliveira San-Bento e outros menos conhecidos. Em 1917, sofreu uma suspensão temporária. Como resposta saiu O *Protesto do Povo. A grande quantidade de anúncios pouco habitual num jornal com esta tendência política é reveladora da sua expansão. A publicação iniciada a 16 de Novembro de 1916 terminou com o número 73, a 30 de Novembro de 1919. Carlos Enes