Preto, António Nunes
[século XVII] Governador do Castelo. As origens sociais de António Nunes Preto, pela documentação existente, são contraditórias. Para receber o hábito de Cristo, com que o rei o agraciou em 1661, foi dispensado da falta de nobreza e no processo se diz que seu pai fora sapateiro e seus avós lavradores pobres e trabalhadores braçais. Maldonado confirma que as «suas calidades não era das extremas», mas dá-o como filho de pais nobres (Manuel Nunes Preto, escrivão do almoxarifado de Lisboa). Sem dúvida por mérito pessoal, foi fidalgo da Casa Real, como é designado na patente de governador.
Foi nomeado governador do Castelo de S. João Baptista de Angra, por carta patente de 20 de Novembro de 1674 e aí se enumeram os serviços militares, que eram notáveis como se se reconhecia na investigação para a habilitação da Ordem de Cristo.
Serviu no Brasil, nas armadas do reino e nas províncias do Minho e do Alentejo, durante as guerras da Restauração. Estava no Brasil, na luta contra os holandeses, quando soube da aclamação de D. João IV, acorrendo então a servir o novo rei na província do Minho, onde foi alferes, capitão e sargento-mor de um terço pago, distinguindo-se de sobremaneira no cerco castelhano à praça de Valença. Esteve prisioneiro por dois anos na Galiza mas evadiu-se e voltou ao serviço militar, recebendo feridas em algumas ocasiões. Andou embarcado nas armadas da defesa da costa, sendo promovido a tenente de mestre-de-campo-general de pé do Exército em 1663. Passou ao Alentejo onde se distinguiu na defesa de Évora e foi promovido a tenente de mestre-de-campo da praça de Cascais e posteriormente, em 1666, a mestre-de-campo do terço pago da guarnição da mesma praça, onde esteve por cinco anos, sendo então nomeado governador do Castelo de Angra.
Passou à ilha Terceira em 1675 e tomou posse do governo a 14 de Agosto, tendo servido até 1682, quando se retirou, morrendo meses depois. O seu governo foi pouco pacífico pelas extremas dificuldades financeiras para pagamento dos soldados do presídio por as verbas terem sido desviadas para a praça de Mazagão.
Pediu o governador insistentemente um novo regimento, julgando que com isso ultrapassava as dificuldades. Foi-lhe concedido um regimento em 1681, mas tão pouco conforme as suas esperanças, por entregar as decisões de financiamento quase exclusivamente ao provedor da fazenda, na ilha Terceira, que ainda agravou a situação e levou a que Nunes Preto pedisse a sua substituição. J. G. Reis Leite
Fonte. Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, Habilitações para a Ordem de Cristo, letra A, maço 51, doc. 66.
Bibl. Maldonado, M. L (1990), Fénix Angrense. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 554-559.
